O documentário “Os Traços Urbanos da Floresta” é a nova atração do cinema amazonense no YouTube. A produção nasceu da conversa entre o fotógrafo e videomaker Homero Lacerda e o graffiteiro Arab, codinome de Rogério Arab, que tem uma trajetória madura e produtiva na ampliação da cena amazonense. A inspiração para o filme nasceu em conversas nos bares do Centro de Manaus, quando constataram que tanto o graffiti como arte e o estilo de vida em volta da Arte de Rua tem pouca ou quase nenhuma documentação.

A produção acompanhou os artistas em suas atividades artísticas pela cidade, indo desde lugares isolados onde a floresta é a inspiração, indo também onde o graffiti mais se consolida: nos muros das favelas.

Cristine Pinagé assina roteiro e produção, o artista Jorge Liu que é um dos entrevistados também assina a assistência de produção. “Basicamente o roteiro foi construído em cima da própria vivência de arte urbana. Procuramos por outros documentários, conversamos com o pessoal do graffiti e gravamos nos cenários em que os artistas mais se sentem representados. Procuramos acrescentar os contextos sociais envolvidos, as suas referências, acho que esse doc é um divisor de águas em Manaus”, relata Cristine.

A ficha técnica priorizou também o envolvimento de profissionais envolvidos com a cultura urbana local, Ítalo Souza, vulgo Moral, foi responsável por toda a parte gráfica do projeto, edição e animação do documentário. 

Presença Feminina e Periférica

Débora Erê, Lore Paes, Gaby, e Zet trouxeram teor representativo para a obra, mostrando as dificuldades, maternidade e machismo dentro dessa cultura que vem se reinventando conforme sua expansão.

Além do graffiti, o documentário também investiga as diversas vertentes dessa arte de rua, como pixo, bomb e stickers.. Foram entrevistados os artistas Paradise, Zet, Arab, Liu, Olhinho, Gnos, Alessandro Hipz, Raiz, Máfia, Nixon e Knort.

Um mural também foi produzido durante as filmagens e contou com a participação de Rosie, Biels e Smith.

No teaser, um dos entrevistados, Raiz Campos, conta como o graffiti consegue também atrair jovens que em outros cenários poderiam ir pra vida do crime ao qual está exposto em sua comunidade. A função social e transformadora dessa arte tão acessível é um dos aspectos mais interessantes da obra.

“É muito mais que pintura ou material, o graffiti é uma questão de atitude, de se expressar publicamente, ele tem essa categoria de democratizar a arte, de trazer a arte pra todo mundo ver”, ressalta Raiz Campos, um dos grandes expoentes da arte na capital amazonense e que também teve seu trabalho documentado na obra.

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