Caio Pimenta aponta as candidatas com chances de indicações ao Oscar 2027 em Melhor Atriz Coadjuvante.

POUCAS CHANCES

O time com poucas chances de indicação na categoria traz estrelas que trabalharam bastante neste ano. 

“Digger” é a menor chance da Sandra Huller nesta temporada. Fazendo a filha do magnata interpretado pelo Tom Cruise, a alemã pouco tem a dizer na comédia do Alejandro González Iñarritu. Os excessos dela são quase nada perto do restante do elenco. 

Por mais que seja um dos maiores da temporada de premiações, a Olivia Wilde deve passar longe da indicação por “Behemoth“. A crítica internacional afirmar que a estrela possui uma personagem ingrata para se trabalhar: uma mulher intensa que persegue o ex após ele decidir acabar o relacionamento. Ela faz o que pode, mas não o suficiente para virar o jogo no Oscar. 

Ainda do drama do Tony Gilroy, há Eva Victor, interesse amoroso do personagem do Pedro Pascal. A crítica também a elogiou bastante ao dizer que rouba a cena em vários momentos. O problema é aparecer tão pouco. 

Já a Zendaya pode surpreender em “Duna 3“: todos os trailers dão um grande destaque a ela no desfecho da trilogia a ponto de a igualar com Timothée Chalamet. Pelo grandioso que teve e nunca ter sido indicada ao Oscar, ela pode crescer se a ficção científica do Denis Villeneuve corresponder às expectativas. 

Colleen Camp abre o time que pode surpreender: em “Club Kid“, ela faz a excêntrica vizinha do protagonista. Apesar dos elogios da crítica por iluminar a tela sempre que aparece, não vejo tanto hype em torno dela para superar as mais bem-posicionadas na temporada até aqui. 

Elizabeth Debicki deve continuar sem indicações ao Oscar. A australiana está em “The Further Mis-Adventures of Cliff Booth“. Ela interpreta uma agente de talentos que recruta o dublê vivido pelo Brad Pitt. Com a campanha do filme totalmente apagada, ela corre bem por fora. 

Por outro lado, recomendo ficar de olho na AnnaSophia Robb. “I Play Rocky” sobe todos os dias na corrida ao Oscar pelo carinho em relação ao clássico dos anos 1970 e por se tratar de um filme exaltando a mágica do cinema. Ela interpreta a fotógrafa e esposa de Sylvester Stallone na época, fundamental para o astro conseguir forças para fazer “Rocky“. A narrativa de uma atriz ainda bela e jovem, mas bastante experiente na indústria, encontrando finalmente um grande trabalho é daquelas que a Academia costuma abraçar. Pode crescer. 

Esnobada em “Belfast“, a Caitríona Balfe busca a primeira indicação ao Oscar por “A Long Winter“. No drama, ela faz uma mãe de família que desaparece após uma nevasca. Ninguém sabe se ela abandonou a família ou morreu. Apesar das críticas extremamente positivas sobre a atuação dela, o filme do Andrew Haigh encontra dificuldades para se firmar na temporada e tende a ser esquecido.

Se vocês começarem a ouvir que a Parker Posey tem grandes chances de ser indicada, desconfiem. A participação dela em “Cavalo Selvagem Nove” é mínima e longe de roubar a cena. Claro que pode acontecer se o longa do Martin McDonagh se sair melhor do que o esperado, mas seria um exagero monstruoso. 

Seria incrível Gillian Anderson indicada por “Acampamento Miasma”? Com certeza, mas o terror da MUBI está tão discreto na temporada de premiações que nem mesmo fazer uma estrela do cinema de terror seja suficiente para a estrela consagrada por “Arquivo X” chegar ao Oscar.  

Indicada uma única vez em 1993 por “Indochina”, Catherine Deneuve pode retornar ao Oscar com “Gentle Monster“. A participação no drama francês é pequena interpretando a sogra de um homem envolvido em um caso de abuso sexual infantil. Se Léa Seydoux conseguir espaço em Melhor Atriz, pode despertar o olhar da Academia para a veterana. 

De qualquer modo, parece bem difícil até por conta das controvérsias envolvendo Deneuve e suas declarações polêmicas relativas ao feminismo. Fora que “Gentle Monster” não representa a França no Oscar, logo, precisa se destacar por conta própria na temporada. Improvável demais. 

Por fim, temos Glenn Close. Em “A Bola Negra“, a estrela faz uma historiadora especializada em Federico García Lorca que ajuda Alberto, personagem de Carlos González, em sua investigação sobre o passado familiar.  

Ainda que o musical espanhol seja um dos favoritos da temporada, o prestígio da atriz na Academia seja mais do que conhecido com oito indicações e Close tenha o desafio de falar em espanhol, a presença pequena na trama e ainda possuir uma concorrente peso-pesado em “A Bola Negra” na mesma categoria.  

CHANCES MÉDIAS

Se Kate Winslet conseguiu a primeira indicação ao Oscar fazendo Marianne Dashwood, Esme Creed-Miles pode repetir a mesma trajetória com a nova versão de “Razão e Sensibilidade“. Segundo a crítica internacional, a jovem estrela britânica capta a essência da personagem, cheia de energia e paixão, alternando momentos introspectivos com outros expansivos. A dobradinha com Daisy Edgar-Jones é essencial para o sucesso do filme. 

Sempre bom lembrar que a Academia gosta de indicar jovens atrizes na categoria. E há um detalhe curioso que pode dar um tempero a mais nesta presença dela no Oscar. 

A chilena Mariana di Girolamo foi apontada pela imprensa americana desde o início como fortemente cotada para ser indicada. Se “Cavalo Selvagem Nove” cair mesmo no gosto da Academia até considero possível. Caso seja apenas recebido bem sem tanta aclamação, sinto um cenário mais complicado para ela. 

A jovem atriz interpreta uma estudante chilena na região da Ilha de Páscoa que faz amizade com o personagem de John Malkovich. Ao longo do filme, a participação dela é pontual com maior destaque na parte final. Ainda assim, não considero suficiente para ir tão longe no Oscar. 

Gemma Chan pode ser uma surpresa na lista de atriz coadjuvante. Em “Josephine“, ela interpreta a mãe de uma garotinha que testemunha um estupro e não sabe como lidar com aquela situação. A produção dirigida pela brasileira Beth de Araújo arranca elogios desde o Festival de Sundance, mas sofre com uma distribuição discreta da pequena Summerian Pictures. Isso pode afetar as chances dela na corrida. 

Scarlett Johansson fecha o time das candidatas com chances médias com “Tigre de Papel“. No drama, ela interpreta uma mulher que começa a perceber a família em risco por conta do marido se envolver em um esquema criminoso. A estrela pode se impor pela força do nome, mas o mau desempenho histórico dos filmes de James Gray na Academia, sempre com baixa visibilidade, dificultam o caminho até o Oscar. 

GRANDES CHANCES

Subindo mais um degrau, hora de falar das candidatas com grandes chances de serem indicadas a Atriz Coadjuvante. Três delas, aliás, devem estar na lista do Oscar. 

Sandra Huller por aqui de novo e, desta vez, com reais chances de indicação. Em meio ao domínio de Ryan Gosling, a alemã aproveita bem os momentos em “Devoradores de Estrelas“. Com direito, inclusive, a cantar ” Sign Of The Times”, do Harry Styles. Caso a Academia queira prestigiar a ficção científica para além das categorias técnicas e Melhor Filme e não queira correr o risco dela ficar sem nada se for esnobada em Melhor Atriz por duas produções europeias, aqui é uma ótima possibilidade.  

Já a Samantha Morton é um fenômeno: “A Odisseia” possui três horas de duração, mas, são os pouco menos de 10 minutos dela em cena que ficam na nossa memória. Do início ao fim, a feiticeira Circe prende o público, primeiro pela sua bondade seguido de um profundo medo daquilo que vemos. É a personificação daquilo que uma atriz coadjuvante faz de melhor: aproveitar ao máximo cada segundo de tela. 

Indicações duplas de um mesmo filme na categoria são comuns: foi assim com Jamie Lee Curtis e Stephanie Hsu por “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” e Elle Fanning e Inga Ibsdotter Lilleas de “Valor Sentimental“. “A Odisseia” pode repetir isso sem maiores dificuldades. 

E lembra que tinha uma curiosidade na corrida de Melhor Atriz Coadjuvante? A Samantha Morton é mãe da Esme Creed-Miles, de “Razão e Sensibilidade”. Uma indicação na mesma temporada de mãe e filha nunca aconteceu no Oscar; a ocasião mais próxima disso foi em 1992 quando a Diane Ladd foi indicada a Melhor Atriz Coadjuvante e Laura Dern concorreu como Melhor Atriz ambas por “As Noites de Rose”. 

Tao Okamoto chega prestigiada pela vitória, ao lado de Virginie Efira, no Festival de Cannes. A dobradinha entre as atrizes, aliás, que provoca grande parte da emoção do belo “O Sentido da Vida“. Se o drama do Ryusuke Hamaguchi realmente surpreender para além de Filme Internacional, considero a presença dela em Atriz Coadjuvante praticamente inevitável. 

Três indicações e uma vitória em menos de dez anos. A Olivia Colman é uma das atrizes da atualidade mais prestigiadas pela Academia nos últimos anos e pode retornar ao Oscar com “Elsinore“. No drama, ela faz uma médica pioneira no atendimento a pacientes com HIV e Aids tratando Ian Charleson.  

Esta pode ser uma indicação nos moldes do que aconteceu com “Meu Pai“: se ali, o Anthony Hopkins era a grande estrela, aqui Andrew Scott é o centro das atenções. Para tanto, ambos tinham a companhia luxuosa da britânica, dando mais peso à história e à atuação dos dois. Caso “Elsinore” consiga ir longe no Oscar para além de Melhor Ator, Olivia Colman pode sim aparecer em Atriz Coadjuvante. 

A Amanda Seyfried faz um dos trabalhos mais intrigantes de 2026: em “Tudo Pode Ser Visto“, ela revive Elizabeth Holmes, empresária responsável por um esquema milionário no setor de biotecnologia dos EUA. O curioso é que ela já tinha feito esta personagem em “The Dropout“, minissérie pelo qual ganhou o Emmy, Critics Choice e o Globo de Ouro. 

Só que em “Tudo o que Posso Ver“, a Amanda Seyfried convive realmente com a Elizabeth Holmes, recriando momentos ao lado dela e refletindo sobre o trabalho dela como atriz. É uma loucura típica do Nathan Fielder, diretor e criador da fantástica “O Ensaio“.  

Como a Academia verá este tipo de experiência é o grande mistério: pode tanto considerar ser um documentário, afinal, Amanda está ali como ela mesma ou aproveitar a ousadia e indicá-la pelos momentos em que recria a empresária. Certamente é uma linha tênue que será bastante debatida até o Oscar.  

FAVORITAS

Chegamos às favoritas da temporada. A primeira delas pode aparecer duplamente na disputa. 

Já que a nova regra da Academia permite, Penélope Cruz pode concorrer contra si própria em Atriz Coadjuvante. A estrela espanhola tem grandes chances de indicações por “O Convite“. Desde que a comédia da Olivia Wilde estourou, ela é apontada como nome mais forte do elenco para o Oscar. Caso se confirme uma presença forte do longa da A24, especialmente, nas atuações, fica muito difícil deixá-la de fora. 

A maior chance de vitória de Penélope, entretanto, reside em “A Bola Negra“. Interpretando uma dançarina que realiza uma performance para as tropas franquistas, a estrela está em um dos momentos mais marcantes do musical dos Los Javis. Destaca-se a energia e o carisma dela em cena roubando a cena. 

Penélope Cruz também tem sido peça fundamental para a divulgação de “A Bola Negra“. Em meio a um elenco muito jovem e diretores ainda desconhecidos do grande público, cabe a ela abrir as portas para o projeto distribuído pela Netflix. Foi assim em Cannes e deve se repetir ao longo da temporada.  

Pensando em vitória, o grande risco é a divisão de votos; por outro lado, os votantes podem reconhecer o ano extraordinário dela para consagrá-la. Com “A Bola Negra” mais forte na temporada do que “O Convite“, considero as chances de conquista maiores pelo drama espanhol. 

Falando de ano extraordinário, o que dizer de Anne Hathaway? A novaiorquina fez todos os filmes possíveis e imagináveis em 2026. “A Odisseia” é o ápice ao fazer Penélope, esposa de Ulisses e rainha de Ítaca. Nesta versão de Christopher Nolan, a personagem ganha um contorno de maior personalidade ao resistir as investidas de diversos pretendes para proteger o reino e aguardar o marido. 

Hathaway é uma atriz querida da indústria e do grande público que não disputa o Oscar desde 2013, ano em que venceu a categoria por “Os Miseráveis“. A campanha certamente deve jogar com este fator até levando em consideração uma narrativa de temporada de grandes estrelas retornando à premiação com chances enormes de consagração – Julianne Moore segue o mesmo caminho em Melhor Atriz. 

Fora que pode ser a única possibilidade de “A Odisseia” ganhar algo nas atuações individuais. Não vejo possibilidades em ator coadjuvante e Matt Damon corre por fora em Melhor Ator. O deslocamento da Hathaway para cá em vez de ir para Melhor Atriz visa justamente esta estratégia.  

Por outro lado, ser um filme muito masculino em que a ação se movimenta em grande parte pelos personagens do Damon, Tom Holland, Robert Pattinson pode complicar a situação da Hathaway. Fora que há o estigma em relação ao Nolan de nunca ter construído personagens femininas realmente relevantes em suas tramas na comparação com os homens. Ainda assim, “A Odisseia” pode servir para contrapor este argumento. 

Na minha visão, as finalistas de Melhor Atriz Coadjuvante serão: 

  • Anne Hathaway, por “A Odisseia” 
  • Penélope Cruz, por “A Bola Negra” 
  • Penélope Cruz, por “O Convite” 
  • Tao Okamoto, por “O Sentido da Vida” 
  • Olivia Colman, por “Elsinore”