Uma casa contém história. Quem andou por aqueles corredores, sentou naquelas cadeiras, entrou e saiu incontáveis vezes por aquelas portas e olhou por aquelas janelas? Em dez minutos, Rodrigo Antonio (“Meus Santos Saúdam Teus Santos”) deixa com o espectador o sentimento de que cada cômodo da “Casa de Luiza” tem vidas que ainda ecoam, mesmo que já não estejam ali.
No curta, um homem vive uma rotina solitária em uma casa que pede por uma reforma. Um lugar que, por fora, transparece os efeitos do tempo, evidenciado nas interações dele com outras pessoas daquela comunidade. “Queira ou não queira, é um patrimônio sentimental”, diz o protagonista a um homem com quem capina o quintal.
Se nos poucos diálogos, o filme já é eficiente em pontuar o tempo daquele lugar, é no visual que ele consegue transcender sem precisar responder às perguntas que ficam na cabeça de quem o assiste. Assim como Chantal Akerman o faz no curta “O Quarto”, de 1972, é na demora em cada pedaço daquele lugar que o filme de Antonio consegue traduzir o peso da história que existiu naqueles corredores.
Ao fundir passado e presente, ele faz de seu filme um tributo a quem não apenas viveu ali, mas também àqueles que preservam patrimônios sentimentais que, mais do que prédios e mobília, permanecem em fotos e memórias.












