Catapultado ao primeiro escalão da indústria com “Nada de Novo no Front”, o diretor Edward Berger decidiu trocar as trincheiras por um modesto thriller papal com “Conclave”. No seu épico anterior, a grande estrela era, sem dúvida, o senso de espetáculo de Berger, responsável pelos lustrosos lamaçais do campo de batalha ali vistos. Era um filme bonito, talvez até bonito demais, ainda mais se pensarmos que toda sua beleza estava a serviço da originalíssima mensagem: “A guerra é um saco”.
Portanto, a dúvida que precedia “Conclave” era apenas esta: qual é a desse cara? Quais são suas ambições? Enfim, o que ele deseja ser. A resposta: um hiper-competente cineasta populista que faz filmes sobre Temas com T maiúsculo. Que esses temas sejam óbvios é precisamente parte do apelo.
E se o efeito estético de “Nada de Novo” era diluído pela morosidade de seus 144 minutos, “Conclave”, por outro lado, é mais enxuto: 120 minutos. Enquanto thriller, as maquinações do gênero servem de via de mão dupla: se o filme se torna mais econômico, é em prol de um roteiro um tanto quanto esquemático.
Isso quer dizer que o prazer está não tanto em adivinhar quem será o próximo papa, mas nas picuinhas e fofocas que correm soltas pela Capela Sistina. Com a morte do sumo sacerdote, os cardeais se reúnem no Vaticano para dar início à votação mais importante da Igreja. Dois são os favoritos: Cardeal Bellini (Stanley Tucci), representante da ala progressista e Cardeal Tedesco (Sergio Castellitto), um conservador linha-dura. No meio do bafafá, o Cardeal Lawrence (Ralph Fiennes) precisa supervisionar as eleições e se certificar de que os candidatos são aquilo que dizem ser.
E é claro que não são — afinal, essa é a graça de um filme como “Conclave”. Tudo aqui é conduzido com muita segurança: nossa âncora é Fiennes, cuja fachada sóbria esconde uma crescente exasperação, traída pela respiração pesada e pelo ocasional descontrole na voz. Os planos são belíssimos: ora impressionantes na sua simetria suntuosa, ora apropriadamente claustrofóbicos. Já a trilha sonora traz as mesmas pancadas bombásticas já ouvidas em “Nada de Novo no Front”, o que não é um problema per se: em time que está ganhando, não se mexe.
Enfim, temos todas as marcas de um entretenimento de qualidade. Há também, é claro, um quê alegórico no incansável debate entre cardeais progressistas e conservadores. Conforme questões como xenofobia e islamofobia pipocam, surge a suspeita de que aquela eleição sagrada talvez seja mais parecida com as nossas do que pensávamos. É um filme que advoga pela mudança, portanto? Naturalmente, desde que dentro dos parâmetros seguros de uma reforma bem-intencionada. Berger não é nenhum revolucionário. Se fosse, não seria um dos favoritos ao Oscar.
Sendo assim, tudo o que ele pode ser é um artífice habilidoso, cujos filmes são lindos e absolutamente inconsequentes. Eu não estive entediado nem por um segundo de “Conclave”. Se isso te basta, então eu tenho o filme para você.













