Existe ainda algo por ser explorado no filão do mockumentary? É a pergunta que “Deadstream” tenta responder. Para isso, o filme toma um ponto de partida curioso: e se acompanhássemos a live de um desses influencers que fazem tudo por audiência?

O sujeito em questão é Shawn, interpretado por um dos diretores do longa, Joseph Winter. Shawn tem um canal no qual se lança em presepadas que vão desde esquiar sem roupas até atravessar ilegalmente a fronteira dos EUA com o México. Depois de um episódio controverso que custou os patrocinadores, ele decide usar uma última cartada para manter o público engajado: passar a noite numa casa mal-assombrada e transmitir a experiência via live.

Isso significa que “Deadstream” pode usar as interações entre Shawn e seus espectadores como veículo para a exposição de informações importantes sobre os fantasmas do lugar. Essa primeira metade do filme, aliás, em que as peças são cuidadosamente postas no tabuleiro, sofre de um problema que, em retrospecto, é bastante óbvio: uma live não é necessariamente um objeto cinematográfico dos mais interessantes.

Pior: até que os fantasmas se revelem, ficamos presos à companhia de um sujeito que tem todas as piores características de um influenciador: auto-centrado, estúpido, vaidoso e por aí afora. Pode parecer um bom ponto de partida – afinal, quem não quer ver um sujeito desses se dar mal? –, mas o longa chega bem perto de torrar nossa paciência com o protagonista.

Felizmente, isso muda na segunda metade, quando “Deadstream” investe pesado nos sustos, na nojeira e no humor. Uma vez que o sobrenatural da situação se torna totalmente claro, o filme fica livre para colocar Shawn em enrascadas cada vez mais absurdas. É quando as piadas com o mundo internético realmente funcionam. Que os monstros no caminho do rapaz usem máscaras de borracha à la “A Morte do Demônio” também ajuda.

Claro que fazer graça com a superficialidade do mundo dos influenciadores é o mesmo que chutar cachorro morto. Mas, se não reinventa a roda, “Deadstream” ao menos sabe explorar todas as possibilidades que a premissa oferece. No fim das contas, o verdadeiro horror é ficar confinado com um youtuber.