Para Vigo Me Voy! é um documentário dirigido por Lírio Ferreira – de Baile Perfumado (1996) – e Karen Hartley, que recorda a vida e a carreira do cineasta brasileiro Cacá Diegues (1940-2025). Morto em fevereiro deste ano, Cacá se tornou um nome conhecido do cinema nacional e nunca teve vergonha de dizer que era um cineasta popular.
A frase “Para Vigo Me Voy!” era dita pelo personagem Lorde Cigano, vivido por José Wilker no filme Bye Bye Brasil (1980), talvez a obra mais emblemática da carreira de Cacá Diegues. Ele sempre falava isso antes de um dos seus números de mágica e é uma ótima forma de também referenciar a magia do cinema e de várias das obras do cineasta. O documentário segue uma linha cronológica para apresentar a filmografia de Diegues, desde seus primeiros trabalhos.
Bye Bye Brasil, claro, tem grande destaque, mas outros filmes também são bem discutidos: algumas polêmicas em torno do lançamento de Xica da Silva (1976), o sucesso de bilheteria de Deus é Brasileiro (2003)… Também são incluídas imagens de debates e entrevistas de época com Diegues, onde ele demonstra ser um debatedor inteligente e sempre ciente do poder do cinema como ferramenta de mudança social. “Ser popular é estar ao lado do povo e suas aspirações”, ele diz em dado momento.
Antônio Fagundes, que estrelou Deus é Brasileiro, aparece no início do documentário junto a Diegues, em imagens tocantes onde os dois parecem ler um tratamento de roteiro para a continuação do filme. Para Vigo Me Voy! apresenta em vários momentos imagens de Diegues já bem velhinho, em reuniões com amigos ou em celebrações. Esse acesso bem pessoal cria o retrato de um homem admirado e querido, e dá ao documentário um toque bastante humano.
Com uma montagem fluida e incluindo cenas de bastidores de filmes de sucesso do cinema nacional, Para Vigo Me Voy! é uma celebração de um artista que viveu e refletiu sobre o cinema, e que demonstrava muitas vezes estar à frente de seu tempo, discutindo em suas obras temas com os quais nos preocupamos hoje, como representatividade e opressão social. É um belo filme com um final que emociona, e nos relembra que uma figura como Cacá Diegues fará falta na cena cultural brasileira.












