A educação emocional de um jovem a partir do encontro com um parceiro romântico mais velho ganha uma roupagem sexy em Pillion, novo filme estrelado por Harry Melling e Alexander Skarsgård. Exibido no Festival de Londres deste ano após sua premiada estreia em Cannes, o filme é uma inusitada e reflexiva exploração de um desabrochar sexual que se assemelha a um Me Chame Pelo Seu Nome para gays submissos.
Melling é Colin, um cara tímido e introvertido que acaba atraindo a atenção do enigmático Ray (Skarsgård), um motoqueiro que começa uma rígida relação BDSM com ele. Nela, Colin se vê descobrindo seu lado submisso, servindo Ray em todo e qualquer aspecto em troca de momentos sexuais intensos e controlados. No entanto, quanto mais ele explora seu novo papel, mais ele anseia por ajustes na sua dinâmica de casal, o que o coloca em rota de colisão com seu parceiro dominador.
A produção, que marca a estreia de Harry Lighton na direção de longas-metragens, consegue trilhar um caminho arriscado, conseguindo abordar a situação de Colin com humor (há vários momentos hilários no filme), mas sem tornar seu protagonista um motivo de chacota. Boa parte disso vem de Melling, que continua a sua acertada esteira de projetos, criando um Colin cheio de ingênua e sincera curiosidade.
O roteiro, também assinado por Lighton e baseado em um romance de Adam Mars-Jones, mostra segurança ao dar à trama deliciosas ambiguidades. Por um lado, é enfático ao defender a capacidade de algumas pessoas encontrarem afeto e auto-liberação na submissão. Nesse sentido, ele faz uma ótima sessão dupla com o subestimado Secretária, com Maggie Gyllenhaal. Por outro, ele lembra que, no mundo codificado das relações BDSM, a linha entre dominação e abuso pode acabar passando despercebida.
Para todo o valor de choque que o filme poderia ter considerando a temática, ele é mais forte justamente nos momentos em que conecta a experiência de Colin com a de qualquer primeiro amor. Pillion argumenta que há algo de permanente no momento em que você encontra uma afeição recíproca que muda a sua visão de mundo – e tudo bem se essa afeição vier com uma luva de couro.












