Baseado em uma peça teatral homônima escrita por David Haig e com roteiro escrito pelo próprio ao lado do diretor Anthony Maras, Pressure acompanha o planejamento do chamado Dia D, focando na relação entre o meteorologista James Stagg (Andrew Scott) e o então Comandante Supremo das Forças Aliadas na Europa, Dwight D. Eisenhower (Brendan Fraser).
Chamado para auxiliar as forças norte-americanas e britânicas para prever o melhor momento para a invasão da Normandia, na França, o renomado meteorologista Stagg surpreende a todos ao ser o único que não tem boas previsões para 5 de Junho, data pretendida para a invasão. Isso o leva a uma série de embates bastante conturbados com o Coronel Krick da Força Aérea dos EUA (Chris Messina), que está certo de que haverá bom tempo, baseado em seus gráficos analógicos e o padrão histórico em situações do tipo.
Essa divergência de ideias é o conflito central abraçado pelo filme, que torna Stagg e Krick adversários verbais eventualmente mediados por Eisenhower. Pressure é eficiente em abordar a convicção que cada personagem tem em suas análises e o gênio forte de ambos, que não se esforçam em serem simpáticos na manifestação de suas ideias e opiniões.
Sobretudo, Stagg desde o início não se esforça para ser uma figura carismática para com ninguém e o filme parece querer estabelecer sua rigidez inglesa como contraponto a uma vivência mais liberal por parte dos estadunidenses, para causar um choque de personalidades que se intensifica posteriormente com as conclusões impopulares de Stagg. Nesse sentido, a interpretação bastante contida e fria de Andrew Scott consegue atingir esse efeito, porém a presença constante de ofensas ao invés de apenas argumentos torna apelativa sua postura beligerante.
O que poderia ser apenas uma divergência compreensível entre homens acaba se tornando um duelo de egos que beira o imaturo, para bem e para mal, sendo essa lamentavelmente a única força e pretensão de Pressure. A falta de nuances para além dos conflitos verbais nos impede de simpatizar com qualquer um dos dois adversários, principalmente de Stagg.
De igual modo, essa antipatia de Stagg não justifica a ternura que a secretária particular de Eisenhower e primeira-tenente Kay Summersby (Kerry Condon) tem pelo personagem, muito menos o tranco que ela dá em Eisenhower para que ele “pegue mais leve”, se é Stagg que tem os piores gestos e dizeres, sem cautela com as palavras ou nenhuma demonstração de humildade.
A impressão da falta de uma postura condizente com as rígidas hierarquias presentes no contexto por parte dos personagens, que falam entre si mais como colegas do que como membros da estrutura de poder na qual estão inseridos é algo que se faz notar.
Obviamente, cabe salientar a presença de Brendan Fraser no papel de Eisenhower. Sua escolha para o papel é compreensível pela postura mais branda e diplomática do líder estadunidense, que se alinha aos tipos habituais de papel em que o ator trabalha. Sua caracterização visual é eficiente, mas a postura poderia ser mais firme em alguns momentos, apesar da bela cena em que perde a paciência com Stagg. Ainda consigo sentir que é “Brendan Fraser tentando ser Eisenhower”, com muito dos maneirismos típicos do ator ainda sendo nítidos, em um trabalho que requer uma maior diferenciação.
Isto posto, apesar do choque entre os três personagens centrais ser sempre interessante de acompanhar, Pressure reforça os mesmos pontos repetidamente sem propor um desenvolvimento na relação entre os personagens. A emoção da conclusão, onde descobrimos quem estava com a razão, também fica prejudicada graças a um protagonista insosso e sua relação com Krick se tornar amistosa repentinamente, sem uma “virada de chave” para isso acontecer.
O pior é que o filme não precisava apelar para um conflito juvenil com diálogos carregados para elevar sua dramaticidade, se já existem as devidas liberdades artísticas que atenuam eventos históricos, como o fato de que o adiamento solicitado por Stagg para a invasão, que, na vida real, não era de duas semanas e sim de bem menos do que isso; e a mudança climática não ter acontecido no mesmo dia, como mostrado no filme.
Dessa forma, Pressure “extrai leite de pedra” dentro de sua curiosa e bem-vinda premissa sobre uma decisão, que, apesar de imprevisível, ajudou a definir a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Um bom filme, mas nada que nos peça por mais revisitas além da primeira vez.















