Episódio de estreia de novas temporadas costumam ser mornos até pela natureza de retomarem tramas que ficaram em pausa por um bom tempo. Logo, se faz necessário recordar os principais pontos da história, introduzir breves elementos dos conflitos base dos capítulos adiante e ainda apresentar novos personagens. “Future Days”, primeiro episódio do segundo ano de “The Last of Us” cumpre todo este manual até demais a ponto de quase cansar o público em pouco mais de uma hora de duração.

Depois do resgate épico de Joel (Pedro Pascal) no fim da primeira temporada, encontramos o anti-herói do fim do mundo e Ellie (Bella Ramsey) vivendo em uma comunidade do Wyoming cinco anos depois. Tal qual a natureza congelante da região, o relacionamento da dupla passa por uma fase complicada a ponto de quase não o vermos lado a lado em “Future Days”. Claro que para os fãs do game e da própria série, o ideal é que os dois fossem aquela parceria jamais fosse rompida nem mesmo por um instante sequer, porém, fica difícil levar tão sério esta turbulência entre os dois. Isso seja tanto pelo fato de poucas peças terem sido dadas para que compreendêssemos uma rejeição a tal ponto de modo mais profundo ao longo destes cinco anos como também pela própria deixa da terapeuta de Joel de que se trata de birra de adolescente em transição para a fase adulta. Se ela não está nem aí, por que estaríamos?

Falando na terapeuta, aliás, que ótimo poder ver Catherine O’Hara novamente em grande fase. Fazendo também a excelente “O Estúdio” com Seth Rogen, a estrela traz o melhor momento desta estreia de “The Last of Us” ao viver uma mulher precisando lidar com o primeiro aniversário da vida sem o marido após 41 anos de casamento. O responsável pela morte dele era, veja só, o seu cliente, Joel. Neste instante, voltamos a ter a dimensão exata do desespero daquela vida pós apocalíptica, de saber que perder a pessoa que ama está sempre ao redor e, goste ou não, resta apenas seguir em frente de alguma maneira. A dor, entretanto, estará ali. E Joel sabe muito bem disso ao tentar, aparentemente sem sucesso, reparar a perda da filha com Ellie.

Quanto à personagem de Bella Ramsey, pouco pode ser dito de realmente relevante. No máximo, como é bom ver Ellie retomando aquele espírito mais aventureiro e leve do início de “The Last of Us” ao sair em uma caçada com Dina (Isabela Merced) após tantos traumas da reta final do primeiro ano. De resto, entretanto, mais um ataque de zumbi em que ela escapa em uma sequência promissora que o diretor Craig Mazin deixa de explorar visualmente um momento que precisa ser explicado com todas as letras no momento a seguir. Já o beijo entre Ellie e Dina é bem qualquer coisa.

Por fim, realço a ótima Kaitlyn Dever, aquisição grandiosa desta segunda temporada. Intérprete da crucial Abby, ela aparece no início e fim de “Future Days”. Se a aparição final serve apenas para deixar claro que os dias de calmaria terminarão em breve, a sequência inicial dimensiona muito bem a missão da personagem neste novo ano. Apesar de torcemos para que não consiga seu objetivo principal, não dá para negar que a motivação seja para lá de pertinente.

“The Last of Us” pagou o pedágio de recolocar o espectador de volta ao universo da série. Que agora as coisas engrenem de fato – neste domingo, passou bem longe disso.