Coisas do streaming: que um título praticamente esquecido de 2020 ganhe uma sequência cinco anos depois; que esse mesmo título fosse particularmente insípido e, não obstante, contasse com uma grande estrela, que agora retorna para a sequência; e, finalmente, que o filme fosse esquecível não apesar de seus esforços na direção contrária, mas, sim, que parecesse ter no esquecimento sua finalidade.
Ou seja: é perfeitamente compreensível que você não se lembre de “The Old Guard”, sobre um grupo de mercenários imortais fazendo boas ações ao redor do globo. Está tudo bem. Seus realizadores sabem o filme que fizeram: um entretenimento dispensável para ser reproduzido distraidamente enquanto o espectador dobra as roupas, conversa com os amigos na sala ou lava a louça.
Aquele filme, que você não se lembra, era construído à base de chavões, evitando assim qualquer traço de distinção: a salvadora relutante, o intervencionismo heroico no terceiro mundo, a novata que ingressa na “família” de heróis… Os atores não precisavam levar nada disso a sério, e o restante do time criativo tampouco. Imperavam as decisões visuais preguiçosas, como cenas de luta entre mocinhos e vilões trajados todos de preto em galpões igualmente escuros. Impressionante!
Mas isso foi há cinco anos — mesmo que você não se lembre. E em “The Old Guard 2”, o que temos? Tirando o mullet descolado da Charlize Theron e a adição de Uma Thurman como vilã, nada de novo sob o sol. Os diálogos seguem sendo meramente funcionais e expositivos, as decisões visuais seguem feitas no piloto automático e o filme carrega, no geral, o cheiro de uma obra feita a partir de uma check-list: isto, isto e mais isto são o que precisamos para atender a este e aquele quadrante. Este é o tanto de tempo que precisamos devotar entre uma cena de ação e outra para que o espectador não desligue a TV, sem precisar se prender demais ao que está acontecendo. Esta é a maneira de filmar que precisamos empregar para que o espectador possa assistir nosso filme em uma janela flutuante no celular, enquanto navega a esmo em busca de uma dose violenta de qualquer coisa.
Mas vamos lá: talvez o crítico também precise de um pouco mais de boa vontade, não? Afinal, há uma bem-vinda adição de cores à paleta geral, outrora tão cinzenta e desagradável, e a ação é um tantinho mais criativa: carros capotando, saltos acrobráticos, helicópteros e afins.
Não é o bastante para mudar o fato de que isto não é um filme: é conteúdo. Por isso não me dei ao trabalho de recapitular a plot, que envolve a antiga paixão imortal de Andy (Charlize), o membro traíra do grupo que termina o primeiro longa em auto-exílio, uma vilã imortal com seus próprios planos escusos, um novo personagem que cumpre a papel do “asiático sábio” etc.
Aceito a ira dos fãs da franquia (existem?), mas duvido fortemente que qualquer pessoa nutra uma paixão genuína por esses longas. Eles simplesmente não foram feitos para despertar grandes emoções. De todo modo, esses poucos seguidores fiéis podem se tranquilizar: a parte três vem aí.












