Um convite de imagens nos é ofertado desde sua partida, onde destroços de um barco semi-naufragado em uma baía capturam nosso olhar. Os créditos iniciais apontam a livre inspiração em Moby Dick e uma narração nos prende fixamente. Ao passo que tudo isso soa (e é) interessante, “Uma Baleia pode ser dilacerada como uma escola de samba’’ vai além do espetáculo imagético? 

O Rio de Janeiro serve de ambientação à história da Unidos da Guanabara, escola de samba que se encontra em ruínas financeiras e morais. Seus integrantes, fiéis e na esperança de manter a escola, buscam ajudar o local e toda a organização frágil que surge na figura do capitão, Ahabi, jovem dono da escola e atormentado por traumas passados e triste de não poder salvar a agremiação da falência. 

De caráter experimental, o longa usa dos retratos dos personagens de maneira a vernizar a sua narrativa. Já a associação com o romance de Herman Melville é até sagaz e curioso na troca do navio Pequod pela escola Unidos da Guanabara, ganhando aspectos únicos a equivaler como tropo da narrativa. “E a quem possa pensar que essa é uma alegoria, não entendeu nada”: tal passagem, por exemplo, disparada em certo momento do longa, intui resumidamente o conceito de significado de ‘Uma Baleia’.  

Com essa condução, o filme de Mariana Melinde e Felipe Bragança solta faísca e serpenteia seu estilo em tela sem aderir qualquer tipo de precaução ou medo de  parecer autoral demais. Logo, há de se admitir um empenho visual como um cuidado  na boa fotografia e direção. A mesma forma que valoriza também se excede ao querer integrar tantos elementos prejudica sem necessidade o ritmo da obra como fica nítido na duração do longa evocar o tempo de uma apresentação de escola de samba na avenida.  

Uma Baleia pode ser Dilacerada como uma Escola de Samba cativa pelos seus fatores técnicos criativos e por um elenco bem afiado, e eu desejara que suas batidas intensas tivessem me levado a um carnaval.