Presente em Gênesis, a história de Esaú e Jacó traz uma das maiores rivalidades vistas na Bíblia. O prenúncio do duelo ocorreu ainda durante a gravidez de Rebeca, a qual Deus teria dito à futura mãe: “Duas nações estão em teu ventre e dois tipos de pessoas serão separadas de tuas entranhas; e um povo será mais forte do que o outro; e o mais velho servirá ao mais jovem”. A preferência do pai por Esaú e da mãe por Jacó tensiona ainda mais o caso em um embate pelo direito da primogenitura, resolvido apenas décadas depois em uma reconciliação.
Curta amazonense dirigido por Thiago Morais e roteirizado e protagonizado por Antônio Carlos Jr, “No Caminho do Sol” parte da história bíblica para retratar uma trama de justiça e vingança na Amazônia cercada pelo extremismo religioso. Na trama, Esaú (Antônio Carlos) retorna à fazenda Terra do Sol Eterno após 20 anos. No local onde cresceu, vive o irmão Jacó (Adriano Holmes) ao lado da mãe Miriam (Rosa Malagueta), responsável por estimular a desavença entre os dois.
Isso tudo dentro do faroeste, gênero consagrado pelo cinema americano e responsável por imortalizar ícones como John Wayne e Clint Eastwood. Mesmo admitindo não ser tão fã de westerns, Antônio Carlos Jr disse que sempre teve a ideia de adaptar o gênero para a realidade amazônica, encontrando a oportunidade ideal em “No Caminho do Sol”. “Escrevi o roteiro em três semanas e submeti ao edital do Governo do Amazonas da Lei Paulo Gustavo. Fomos aprovados e começamos a produzir o filme”, declarou o ator.
Parceria inédita
Com orçamento de R$ 100 mil do projeto selecionado pelo edital do Governo do Estado do Amazonas através de recursos da Lei Paulo Gustavo, a produção foi rodada ao longo de três dias do primeiro fim de semana de junho de 2024 no Amazonas Film Camp, localizado a 36 km da cidade de Manacapuru (distante 84 km de Manaus). Antes disso, porém, a equipe de “No Caminho do Sol” teve uma pesada preparação de ensaios com três meses de duração realizadas nos teatros Américo Alvarez e Gebes Medeiros, além de uma academia de Kung-Fu no bairro do Coroado, Zona de Leste de Manaus, por conta das intensas cenas de ação e luta presentes na história.
O desejo de voltar a atuar levou Antônio Carlos Júnior a optar por não dirigir “No Caminho do Sol” após comandar os curtas “O Terrorista” e “Cuspe”. Para a missão, ele chamou Thiago Morais, cineasta amazonense vindo da bem-sucedida animação “Cem Pilum – A História do Dilúvio” com passagem por mais de 80 festivais mundo afora.
“O Antônio fez o convite dizendo que era um faroeste amazônico, o que me impactou por nunca ter feito nada do tipo. Seria um desafio. Eu li o roteiro e quis fazer. Troquei ideia com ele e percebi como estávamos afinados com o projeto”, recordou Thiago, salientando que assistiu muitos filmes do gênero para buscar inspirações, entre eles, o clássico “Era uma vez no Oeste”, de Sergio Leone. Segundo o diretor, uma das mudanças sugeridas por ele e acatadas pela equipe foi a opção por uma câmera mais de observação em vez dela na mão.
“Conheço o Antônio há 20 anos desde os primeiros festivais. Apesar de nunca termos trabalhado juntos, sempre admirei as obras dele. Foi até surpreendente o convite por nunca termos convivido. Ele é um cara incrível, muito generoso. Fiquei bem à vontade”, declarou o diretor.
RELAÇÃO COM O CASO Djidja
A trágica morte de Djidja Cardoso, ex-sinhazinha do Boi Garantido em decorrência do uso abusivo de cetamina, encontra ecos na história de “No Caminho do Sol”. É o que acredita o roteirista e protagonista do curta por conta da suposta seita liderada pela mãe da vítima.
“O filme traz sobre o extremismo religioso a partir da má fé de certas pessoas, exatamente o que ocorreu neste caso. Vejo uma correlação muito direta apesar do roteiro ter sido feito em 2023. A história da mãe que criou uma seita para manipular, dominar os filhos a partir de justificativas que não são reais”, declarou Antônio.
“No Caminho do Sol” ainda aborda questões ligadas às armas e os conflitos gerados por elas, as disputas de terra e a temática indígena. “Não queremos fazer um filme panfletário, mas, sim um faroeste que traz discussões da sociedade”, explicou Antônio. O curta está em fase de montagem e deve ser lançado apenas em 2025.
FICHA TÉCNICA
Diretor: Thiago Moraes
Roteiro: Antonio Carlos Junior
Diretor de fotografia: Cláudio Heitor
Operadores de câmera: Aline Fidélix e Erikson Fernandes
Captador de som: William Daurício
Produção-executiva: Rita Queiroz
Produção: Ricardo Hossoe
Preparador de elenco: Alex Lima
Direção de produção (Filmcamp): Daniel Garibotti
Direção de arte: Nonato Tavares
Assistência de direção de arte: Roberto Suarez
Efeitos especiais: César Youngblood
Figurino: Socorro Papoula
Pós produção: Caio Rodriguez
Trilha sonora: Diego Nogueira
Equipe Filmcamp – Logística: Chiquinho e Daniel Garibotti
Mateiro e piloto: Elio e Raimundinho
Cozinha: Tania e Cyr
Limpeza: Margarida e Naira
Motorista/Van: Rogério Carvalho
Motorista/microonibus: Valterlan Justino da Silva (Brigadeiro)
Barco Manacapuru – AFC-Mancapuru: Elizeu Oliveira da Silva
Libras, audiodescrição e linguagem descritiva: All Dub (Ana Lucia)
Consultoria jurídica: Marcia Costa
Consultoria contábil: Andreza Fontinelle
Logística Manaus/Still: Anderson Oliveira.
Apoio cultural: Espatódea Trupe, Caia Cultural, Iaska arte, Curso de Artes Cênicas – UEA, Museu Amazônico, Associação Sino Amazonense de Kung Fu Wushu, Time Produtora, CRV Madeiras e SEC/AM.
ELENCO
Miriam: Rosa Malagueta
Esaú: Antonio Carlos Junior
Jacó: Adriano Holmes
Jurandir: Alex Lima
Joventino: Wilson do Carmo
Raimundo: Roger Barbosa
Esaú jovem: Jorge Saboia
Jacó jovem: Felipe Martins
Delegado: Ismael Farias
Policial: Roberto Carlos Junior
Capangas: Raimundo Brito de Souza , Eliezio Vieira da Silva, José Francisco Barbosa dos Santos, Luis Gonzaga Brito de Souza, Carlos Daniel da Silva Marinho
Comunidade Tikuna São Francisco de Patua: Lucas Marques de Brito, Daniela Gonçalves da Silva, Halana Kaline de Souza Coelho, Gustavo dos Santos Costa, Naira Cristina Gonçalves Venegas, Alexandre Marques de Souza, Delma Pinto Gonçalves, Valdecy Miguel da Silva, Valdenor Cavalcante da Silva, Valdery Miguel da Silva.
















Fico feliz sempre que leio sobre produção cinematográfica no Amazonas. A felicidade é ainda maior ao ver amigos e egressos da UFAM presentes nesses projetos. A felicidade ganha uma um foco a mais de luz por ver o AFC – Amazonas Film Camp recebendo essa produção, assim como já recebeu produções da Amazon PRIME Video ( DOM) e MoviStar (CONQUISTADORES) .