A 12ª edição do 8 ½ Festa do Cinema Italiano no Brasil celebra o centenário de Marcello Mastroianni e traz cópias restauradas de clássicos de Federico Fellini. Com sessões em 23 cidades do país, o evento passa por capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre — mas não por Manaus, nem por outras capitais da região Norte, que ficaram completamente de fora da programação.

O grande homenageado do festival é o premiado montador italiano Jacopo Quadri, que participa de sessões especiais e ministra masterclasses no Rio de Janeiro, Niterói e São Paulo. Quadri, vencedor do David di Donatello por “A grande ambição”, colaborou com mestres como Bertolucci e Gianfranco Rosi, além da brasileira Laís Bodanzky.

A seleção deste ano inclui 11 filmes contemporâneos e premiados, como “Vermiglio – A Noiva da Montanha”, vencedor do Leão de Prata em Veneza e candidato da Itália ao Oscar 2025. Também integra a programação “La vita accanto”, novo drama de Marco Tullio Giordana, que esteve no Brasil em 2019 e retorna agora com uma adaptação sensível sobre identidade e superação.

Produções com temáticas políticas e sociais marcam presença, como “A grande ambição”, sobre o líder comunista Enrico Berlinguer, e “O último chefão (Iddu)”, inspirado no mafioso Matteo Messina Denaro. A programação destaca ainda estreias femininas fortes como “Gloria!”, de Margherita Vicario, e “Felicità”, dirigida e protagonizada por Micaela Ramazzotti.

Mesmo com sua diversidade de temas e talentos, o festival evidencia um desequilíbrio geográfico recorrente em eventos culturais do país. Com a ausência de Manaus e outras capitais do Norte, a mostra limita o alcance de um cinema plural e internacional, reforçando barreiras históricas de acesso e circulação cultural na região amazônica.