Acompanhando a coletiva de imprensa do governo do Amazonas sobre a liberação do comércio e dos templos religiosos a partir de 1 de junho, me veio à mente “O Franco-Atirador”. Ganhador do Oscar de 1979, este filmaço do Michael Cimino com Robert De Niro e Meryl Streep atinge o clímax durante uma competição de roleta russa nos confins do Vietnã. 

Para quem não conhece a roleta russa, lá vai um tutorial: o sujeito pega uma bala, coloca em um revólver e gira. São 5 de 6 chances da pessoa escapar, mas, se der azar, au revoir. Parece mórbida a comparação, eu sei – seria a quarentena me afetando? – mas, é inevitável pensar que chegamos a este ponto.  

Pressionado por liderenças religiosas evangélicas e classes empresariais, Wilson Lima coloca Manaus de volta às ruas através do que ele chama de “uma decisão responsável, equilibrada, tomada em bases técnicas”. Porém, nenhuma destas ‘bases técnicas’ se sustenta a contrapontos básicos mesmo que você não seja um Átila Iamarino. 

O governo se vangloria, por exemplo, pela taxa de recuperação no Amazonas ser acima da média nacional – 70%, segundo a secretária de saúde, Simone Papaiz -, mas, esquece que o coeficiente de mortalidade por milhão de habitante na região de Manaus é o segundo maior do Brasil – 405,3. A quantidade de novos casos na capital está em fase de platô ou em queda? O interior está explodindo com três das regiões de maior incidência da COVID-19 no país e sem nenhum município com uma UTI para casos críticos, o que traz todas estas pessoas para a capital.  

Detalhe: segundo a secretária de saúde, Simone Papaiz, 85% das UTIs em Manaus estão ocupadas. 

Mesmo assim, vão reabrir. Há possibilidade de uma segunda onda? Sim, e a própria diretora da Fundação em Vigilância Sanitária do governo admite que o risco é grande.

Para se eximirem da responsabilidade a qual foram eleitos, jogam o problema nas nossas costas: ‘não se aglomerem, álcool em gel sempre, número limitado de pessoas nas lojas, alertem sobre quem não estiver com máscaras, não vá trabalhar gripado’.  Todos sabemos que não existe possibilidade disso dar certo na prática – impossível evitar aglomeração em um terminal ou no próprio ônibus às 17h30 de segunda-feira ou imaginar um trabalhador recebendo um salário mínimo, com risco de perder o emprego, falar que vai precisar ficar mais 14 dias afastado por COVID. Sem falar na fiscalização falha como se provou ao longo de todo período de fechamento do serviço não-essencial – ou você acredita que alguma templo evangélico será interditado em caso de colocarem mais de 30% da capacidade?  

(Aliás, e o prefeito Arthur? Bom de mídia que só ele, já diz que se opõe à reabertura, mas, nada fará para atrapalhar o projeto. Assim até eu.., mas, divago).

Esta negação completa da realidade por parte de quem deveria exercer o papel que lhe cabe deixa o caminho aberto para a roleta russa de “O Franco-Atirador’. Será a sorte quem definirá quem vive e morre. Como costuma ocorrer, porém, o jogo estará mais desfavorável para moradores de periferia e pobres, os quais morrerão sem atendimento nos hospitais públicos, situação bem diferente das classes mais ricas com seus planos de saúde e acesso aos melhores tratamentos, inclusive, fora de Manaus. 

E O CINEMA? 

Cinépolis Manaus

No meio deste cenário potencialmente trágico, o calendário de retomada das atividades prevê que os cinemas possam reabrir as portas a partir do dia 6 de julho. As salas terão capacidade autorizada de até 50%, de acordo com as normas. 

Caso os cinemas sejam reabertos em Manaus com 50% da capacidade, ainda há possibilidade de aglomerações em alguns espaços. O Cinépolis do Shopping Ponta Negra, por exemplo, conta com salas de 380 e 270 lugares, o que poderia abrigar até 190 pessoas por sessão. Nenhuma das redes de cinema em operação nos shoppings da cidade se pronunciou sobre quais serão as medidas sanitárias e de segurança. Quanto ao Casarão de Ideias, semana que vem o Cine Set traz as novidades.

O retorno dos cinemas em Manaus será feito bem antes em comparação ao que ocorreu nos principais países europeus. O pico da pandemia na França, por exemplo, aconteceu na primeira quinzena de abril e as salas somente serão reabertas no próximo dia 22 de junho, mais de dois meses depois. A Itália também segue o mesmo caminho com a retomada prevista para 20 de junho, enquanto o Reino Unido ainda não tem data marcada – o auge da pandemia aconteceu em maio. 

Com dezenas de assinaturas, requerimento cobra esclarecimentos sobre eleição do audiovisual no Concultura

O pleito para o biênio 2026/2028 foi realizado no dia 31 de agosto, e a homologação oficial do resultado está prevista para 18 de setembro.

Pâmela Eurídice, do Cine Set, será jurada do Festival de Gramado 2026

O Cine Set estará em dose dupla no Festival de Gramado 2026: Pâmela Eurídice integra o júri da crítica do evento no Rio Grande do Sul.

Bruno Gagliasso vem a Manaus para a estreia de ‘Honestino’

No dia 14 de agosto, o Casarão de Ideias (Rua Barroso) recebe uma sessão especial de Honestino, novo longa do cineasta amazonense Aurélio Michiles.

De Manaus para o Rio Grande do Sul: Cine Set participa do Festival de Gramado pela primeira vez

Amaury Prado vai cruzar o Brasil para representar o Cine Set direto da Serra Gaúcha no Festival de Gramado 2026.

Rapper amazonense estreia nos cinemas ao lado de Adanilo e Bruno Gagliasso

Kurt Sutil é um dos nomes confirmados no elenco do novo longa-metragem ‘A Estirada’, da dupla Sérgio de Carvalho e Pedro Von Krüger.

A história do cinema no Teatro Amazonas em 8 momentos marcantes

Relembre alguns dos episódios que fazem do Teatro Amazonas um cenário permanente da história do cinema no estado.

Amazonense Keila-Sankofa leva dois filmes para o Festival de Vitória 2026

Keila-Sankofa integra a programação do 33º Festival de Cinema de Vitória, realizado entre 18 e 25 de julho, no Espírito Santo.

De Manaus para Makunaíma XXI: ator Mário Jorgi encara o maior desafio da carreira

Mário Jorgi, ator com trajetória consolidada nos palcos de Manaus, vive em Makunaíma XXI o primeiro grande papel de sua carreira no cinema.

Documentário mostra paixão de torcedores no Festival de Parintins

Diretora Ana Lígia Pimentel, de “Os Avós” e “Sete Cores da Amazônia”, lançou o documentário “72 Horas” no Festival de Parintins 2026

‘Aeromodelo’ une Manaus e Hayao Miyazaki em nova animação de Leonardo Mancini

O cinema de animação no Amazonas terá novidades em breve: Aeromodelo está nas últimas etapas de finalização e deve ficar pronto até o fim do ano.