“Morando longe de Parintins, a saudade aumenta, e como minha família é da cidade, o festival tem um significado ainda maior para mim. Existe a ansiedade e a loucura de quando chega a época do evento. Há as lembranças de infância com primos e as reuniões de família”.
O relato de um torcedor a caminho da sua terra natal abre o documentário O Brincante de Boi. A fala deixa claro como o Festival Folclórico de Parintins representa muito mais do que uma simples diversão; o duelo entre Caprichoso e Garantido marca também a nostalgia e o pertencimento que aquele espaço geográfico para milhares de pessoas.
Dirigido pelos azulados Victor Kaleb e Fabiano Baraúna, com fotografia e montagem do perreché (torcedor do Garantido) César Nogueira, o curta-metragem teve como principal referência a edição de 2022, mas a amizade dos diretores começou bem antes. “Durante a produção do Sons do Igarapé (2018), conheci o Fabiano, que também participou do filme, e depois disso firmamos uma amizade. Quando fui a Parintins, reencontrei-o e, como ele trabalhava na coordenação do Caprichoso, surgiu a ideia de fazermos esse documentário”, recordou o azulado Kaleb.
Baraúna atua na equipe do Caprichoso desde 2019 como diretor cênico, preparador de itens e coordenador de grupos, e foi a Parintins com o propósito de pesquisa de campo para um projeto de mestrado com tema relacionado ao festival. Ele brinca que o que era para ser apenas um trabalho de campo, acabou virando seu lar. Atualmente, ele mora em Parintins com o filho e a mulher que conheceu na região e não pensa mais em voltar para Manaus.
PARCERIA COM O CONTRÁRIO
Victor conta que o plano inicial era fazer um documentário em longa-metragem, mas quando surgiu a oportunidade do edital para curta-metragem, percebeu que precisaria adaptar o conteúdo para um produto mais enxuto: “Foi um trabalho difícil, tínhamos muito material gravado e queríamos colocar muito mais coisas. Com a transição do projeto para uma duração menor, tivemos que cortar bastante e deixá-lo em uma montagem com conteúdo mais conciso, mas sem perder claro a essência do que queríamos transmitir sobre o festival”, salienta o diretor que não descarta a possibilidade um projeto futuro maior sobre “o festival dos festivais”
Projeto contemplado pela Lei Paulo Gustavo, O Brincante de Boi teve as primeiras exibições nos dias 29 e 30 de maio nas escolas Charles Garcia e no Instituto Federal do Amazonas (IFAM) em Manaus. Até o momento, ainda não há novas datas. O que nos resta é esperar cada vez mais produções sobre o maior festival folclórico a céu aberto do mundo.
A beleza irradiante dos bois-bumbás já é contemplada por vários povos amazônicos e agora ganha ainda mais notoriedade por todo o Brasil. Seja nas torcidas pelo boi Caprichoso ou pelo boi Garantido, nas toadas cantadas, na irreverência e no respeito pelos seus “brincantes” (termo usado para os torcedores). Na expressão cultural que pulsa nas alegorias das cerimônias e que homenageia tantos costumes e a ancestralidade dos povos originários, tudo isso sempre será digno de apreciação.
“Para o brincante de verdade, eu acho que ele não se importa com o resultado. Eu acho que a essência do brincante é quando ele vai para a arena, entra na arquibancada e vê que o espetáculo aconteceu, a pessoa consegue tirar uma mensagem do festival. Além de tudo, ver a beleza do nosso festival”, cita um torcedor do Caprichoso em O Brincante de Boi.














