Caio Pimenta analisa os desafios para Emma Stone conquistar o terceiro Oscar de Melhor Atriz por “Bugonia”.

HISTÓRICO DE VITÓRIAS

La La Land 

A Emma Stone está invicta, tem aproveitamento de 100% em Melhor Atriz. 

A estrela foi indicada duas vezes na categoria e ganhou em ambas: a primeira foi com “La La Land” em 2017, temporada em que dominou com facilidade ao ter como maior adversária Isabelle Huppert, de “Elle”.

Já em 2024, o páreo foi mais difícil ao lidar com Sandra Huller, de “Anatomia de uma Queda” e, principalmente, com Lily Gladstone, de “Assassinos da Lua das Flores”. No fim das contas, ela se deu bem e venceu com “Pobres Criaturas”. 

As únicas derrotas da Emma Stone no Oscar foi concorrendo como coadjuvante: em 2015, por “Birdman”, ao perder para a Patricia Arquette, de “Boyhood”, e quatro anos quando concorreu por “A Favorita”, mas, foi superada pela Regina King, de “Se a Rua Beale Falasse”. 

TIME DAS DUAS VITÓRIAS NO OSCAR

Ser insuperável em Melhor Atriz, não é um caso único em Melhor Atriz. Outras cinco estrelas venceram sempre que foram indicadas.  

Foi assim com a Luise Rainer, Vivien Leigh, Sally Field e Hilary Swank: todas indicadas e premiadas duas vezes.

O recorde, porém, é da Frances McDormand que concorreu por “Fargo”, “Três Anúncios Para um Crime” e “Nomadland” e venceu em todas elas. 

Aqui vale observar as trajetórias posteriores de cada uma delas para ver como a Emma Stone está em uma situação mais fácil de alcançar esta marca.  

A Luise Rainer admitiu que viu a carreira começar a ruir após os dois Oscars porque esperava-se dela aqueles tipos de papeis que a consagraram, o que fez a MGM só oferecer caminhos parecidos para ela. Tanto que o último grande trabalho dela nas telonas foi com “Reféns”, em 1943 – detalhe: ela faleceu em 2014 aos 104 anos. Poderia ter tido uma carreira ainda mais longeva.  

A Vivien Leigh foi monstruosa nos dois filmes pelos quais venceu a estatueta dourada – “E o Vento Levou” e “Uma Rua Chamada Pecado”. Infelizmente, problemas de saúde e conjugais prejudicaram a etapa final da vida dela.  

 Já Sally Field e Hilary Swank são casos parecidos: tiveram uma ascensão meteórica, ganhando Oscars em um curto espaço de tempo, mas, não conseguiram sustentar esta grande fase por tanto tempo. 

CARREIRA EM ASCENSÃO

A Emma Stone, porém, só cresceu desde a primeira estatueta. 

Se antes de “La La Land”, a Emma Stone já se mostrava uma atriz querida por importantes diretores do naipe de Woody Allen, Alejandro González Iñarritu e Cameron Crowe, após o musical do Damien Chazelle, ela firmou a grande parceria da carreira até o momento.

Ao lado de Yorgos Lanthimos, a estrela já obteve duas indicações ao Oscar e elogios da crítica por onde passa.

Ainda teve tempo para estrelar “Cruella”, versão punk rock da grande vilã de “101 Dálmatas” e elogiadas séries como “Maniac” e “The Curse”.  

Aliás, a dupla estará de volta em “Bugonia”. O longa é a adaptação norte-americana da comédia sul-coreana “Save the Green Planet”. 

Desta vez, a Emma Stone faz uma empresária bem-sucedida que acaba sendo sequestrada por uma dupla liderada pelo Jesse Plemons. O bizarro é que os criminosos fazem isso por considerarem que ela é uma alienígena.  

Tudo indica que o lançamento deve acontecer no Festival de Veneza, onde, vejam só, a Emma Stone ganhou o prêmio de Melhor Atriz por “La La Land”. “Bugonia” terá uma disputa pesada dentro da Focus Features por conta da presença de “Hanmet”, novo drama da Chloé Zhao, também no estúdio. 

Caso “Bugonia” se dê bem, como esperado, a Emma Stone entra firme para disputa de Melhor Atriz. Agora, será que ela pode enfrentar uma resistência da Academia que impeça de ganhar o terceiro Oscar? 

MUITO JOVEM PARA MAIS UM OSCAR

Afinal, a estrela possui apenas 36 anos de idade. Para efeito de comparação, a Frances McDormand ao ganhar a terceira estatueta da categoria tinha 64 anos por “Nomadland”.

A Katherine Hepburn, por sua vez, tinha 61 ao chegar à mesma marca por “O Leão no Inverno” e a Meryl Streep 62 anos. 

Também é preciso levar em consideração uma hierarquia dentro da Academia. Ela não é algo formal nem está nas regras, mas, pode ser decisiva para muitos votantes na reta final escolherem por outro nome que não seja a Emma Stone. 

Se a estrela de “Bugonia” corre em busca do terceiro Oscar da carreira, outras estrelas mais veteranas ainda estão na casa de apenas uma estatueta. São os casos da Nicole Kidman, Kate Winslet, Julianne Moore, Julia Roberts e Viola Davis, por exemplo. Isso, claro, para não falar daquelas que sempre bateram na trave como Carey Mulligan e, claro, a Glenn Close. 

Um terceiro Oscar para a Emma Stone ainda a colocaria em um patamar na história da Academia ao lado de Ingrid Bergman, Meryl Streep e Frances McDormand. Isso em um curto período. Hoje dentro disso que coloco como hierarquia, vejo a Cate Blanchett muito mais próxima, se credenciando para tal feito do que a Emma e até mesmo outras atrizes com dois Oscars ainda viva como a Jodie Foster, Jane Fonda, Renée Zellweger, Hilary Swank e Sally Field.  

Evidente que tudo isso pode cair por terra se a Emma Stone tiver um desempenho absolutamente soberbo e começar a ganhar todos os prêmios possíveis. Prestígio ela já mostrou ter de sobra na Academia. Mas, que pode pesar todos estes fatores para uma atriz tão jovem, isso, sem dúvida, pode acontecer.