Se há alguém que está buscando o Oscar a qualquer custo atualmente, esse alguém é Bradley Cooper. São 12 indicações, somando ator, diretor e produtor, e nenhuma vitória.

A última temporada exemplifica isso: o astro fez um papel perfeito em um projeto que sonhou por anos, se juntou a lendas como Steven Spielberg e Martin Scorsese, contou com a parceria da todo-poderosa Netflix e fez declarações pomposas sobre todos os sacrifícios que fez. No fim das contas, porém, foi ultrapassado sem dó nem piedade por Cillian Murphy e “Oppenheimer”.

Neste novo vídeo aqui no canal, faço um ranking da pior à melhor atuação dele indicada ao Oscar, analiso as possibilidades de vitória em cada temporada e, claro, elejo a maior esnobada que Cooper já sofreu.

5. TRAPAÇA

trapaça david o. russell

O quinto lugar desta lista é da temporada de 2014.

Interpretando um policial do FBI que infiltra os protagonistas no mundo da máfia, Bradley Cooper cria uma sinergia muito boa com Amy Adams, gerando uma tensão sexual latente entre os dois e formando um triângulo amoroso com Christian Bale em “Trapaça”. O astro imprime uma aura malandra e esperta ao personagem, que pode ser traiçoeira até para ele mesmo. Embora não seja um desempenho brilhante, ele está bastante competente.

Na categoria de Ator Coadjuvante daquele ano, Cooper, junto com Jonah Hill, era o trabalho menos interessante entre os indicados. Não o vejo no nível dos principais concorrentes de 2014, especialmente Barkhad Abdi e Jared Leto.

4. O LADO BOM DA VIDA

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“O Lado Bom da Vida” ocupa a quarta posição. Novamente, Cooper encontra uma excelente parceira ao seu lado, neste caso, Jennifer Lawrence. O estilo mais incisivo dela, em contraste com o indeciso dele, resulta em uma combinação que conquista o público, formando um casal que agrada.

No Oscar de Melhor Ator em 2013, considero Bradley Cooper acima apenas de Hugh Jackman, de “Os Miseráveis”, mas muito, muito, muito abaixo de Daniel Day-Lewis, por “Lincoln”, e Joaquin Phoenix, de “O Mestre”. Para uma primeira indicação na Academia, foi um bom resultado.

3. O MAESTRO

O bronze fica com “Maestro”. Apesar das críticas de “Oscar-bait” que surgiram ao longo da temporada nas redes sociais, Bradley Cooper está excelente como Leonard Bernstein, capturando todas as nuances tanto da figura pública quanto da privada. Da energia do jovem compositor à figura madura enfrentando desafios pessoais, ele interpreta todos os trejeitos do maestro nas performances com a orquestra.

Embora eu concorde com as críticas em relação ao filme, nunca com relação ao trabalho de Bradley Cooper. Observando a lista de Melhor Ator do Oscar 2024, considero que ele está na média da boa lista, embora abaixo de Paul Giamatti e Cillian Murphy.

2. SNIPER AMERICANO

“Sniper Americano” marcou a terceira indicação consecutiva de Bradley Cooper ao Oscar. Um trabalho nada simples, pois cabe a ele dar humanidade ao franco-atirador mais letal da história dos EUA, com mais de 160 vítimas. O ator consegue retratar essa figura sem transformá-la em herói ou vilão; é alguém com uma missão a cumprir, e o peso das ações está sempre presente.

O Oscar de Melhor Ator de 2015 deveria ter sido entregue a Michael Keaton, por “Birdman”. Ele estava muito acima dos demais. Entre os concorrentes, acho que Cooper estava na média da categoria naquele ano, no mesmo nível de Steve Carell e Benedict Cumberbatch.

1. NASCE UMA ESTRELA

A maior atuação de Bradley Cooper indicada ao Oscar é “Nasce uma Estrela”. Assumindo a direção, roteiro e produção, o astro identifica o principal conflito da história ao interpretar um mocinho atormentado, cheio de demônios internos e viciado em álcool. Com uma estrela talentosa e belíssima como Lady Gaga ao seu lado, o ator tem a faca e o queijo na mão para comover o público em uma história clichê, mas que funciona bem.

Como mencionei na lista dos meus favoritos no Oscar 2019, Cooper era o meu favorito para vencer a estatueta. Na minha visão, ele sobressaía em um ano em que, infelizmente, a Academia optou por Rami Malek, de “Bohemian Rhapsody”.

AS ESNOBADAS

Agora, vamos falar da maior esnobada de Bradley Cooper na Academia. Na verdade, os principais trabalhos da carreira dele foram indicados ao Oscar, então não houve uma exclusão absurda. Ainda assim, sempre é possível identificar um trabalho pelo qual a Academia poderia ter sido mais generosa com ele.

Em 2015, ele estreou “Pegando Fogo”, um irmão mais velho e menos interessante de “O Urso”. Cooper interpreta um chef perfeccionista de temperamento rebelde e difícil.

Em 2021, o ator teve uma ótima temporada com participações em “Licorice Pizza”, de Paul Thomas Anderson, e “Beco do Pesadelo”, de Guillermo del Toro. No primeiro filme, ele tem uma participação pontual, mas muito divertida, de menos de 10 minutos. No segundo, ele protagoniza a história de um sujeito amoral que faz de tudo para subir na vida.

Entre todos esses ótimos desempenhos, considero que “Licorice Pizza” foi a esnobada mais sentida, visto que ele poderia facilmente ter ocupado o lugar de J.K. Simmons, de “Apresentando os Ricardos”, sem maiores dificuldades.