Inaugurado em 1986, o Cine Carmem Miranda foi um dos cinemas de rua de propriedade de Joaquim Marinho, empresário e agitador cultural que também comandou o Cine Chaplin, Cine Renato Aragão, Cine Grande Otelo e Cine Cantiflas, todas salas localizadas no Centro de Manaus. O espaço, situado na rua 24 de Maio, esquina com a rua Joaquim Sarmento, atraiu mais de 7 mil pessoas somente na semana de sua estreia. O fechamento do cinema, infelizmente, ocorreu em 1992.
Com recursos da Lei Paulo Gustavo, a partir de projeto aprovado em edital do Governo do Amazonas, o ator e produtor cultural amazonense Michel Guerrero, frequentador assíduo do antigo cinema, resgatou essa história e reabriu um novo Cine Carmem Miranda em 2024. A sala, com capacidade para até 50 pessoas, teve sessões gratuitas às quintas, sextas e sábados, com exibição de 140 filmes, entre obras clássicas de Hollywood e longas mais fora do circuito comercial, além de ser uma janela para a produção amazonense.
Segundo Michel, o público estimado foi de 3.200 espectadores entre o fim de junho e dezembro. “Muitos cinéfilos fizeram do Cine Carmem Miranda um ponto de encontro, para diálogos e troca sobre filmes antigos e contemporâneos que permeiam o imaginário mundial. Deu para sentir que a ideia foi abraçada e prestigiada, principalmente no que diz respeito à homenagem aos cinemas antigos do Centro de Manaus. O brilho saltava nos olhos de quem ama cinema”, disse Michel em entrevista ao Cine Set.
E O FUTURO?
Com o sucesso da iniciativa, a pergunta que fica é sobre o futuro do cinema após a conclusão do projeto referente aos recursos da Lei Paulo Gustavo. Michel garante que o Cine Carmem Miranda continuará com as parcerias já estabelecidas e continuará buscando apoio nos futuros públicos.
“No momento, há o recesso, que provavelmente se estenderá até o término do carnaval. Mas existe a possibilidade de, antes, no início do ano letivo, por volta de fevereiro, realizarmos um circuito de cinema com debates em parceria com escolas públicas. Está em definição”, declarou o produtor.
O Cine Carmem Miranda contou com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (SEC), Instituto Cultural Hiléia Amazônica, Aliança Francesa Manaus, À La Carte Belas Artes, Consulado Geral do Japão em Manaus, Sesi Amazonas, Universidade Federal do Amazonas, além da própria classe do audiovisual local.
RETORNO ÀS SALAS

Cine Carmen Miranda foi aberto no dia 20 de novembro de 1986 e recebeu 7 mil espectadores na primeira semana.
O Cine Carmem Miranda remete a um período em que o cinema e a televisão eram as grandes atrações de entretenimento no mundo, dominando a atenção do público. Quatro décadas depois, a tecnologia transformou o setor a partir das redes sociais, games e, claro, do streaming.
Apesar do dilema sobre a força ou não das salas de cinema seguir constante, a experiência do Carmem Miranda trouxe novas perspectivas para Michel Guerrero. “Sou consumidor de streaming e acho sensacional o formato. De fato, o cinema perdeu muito público durante a pandemia do coronavírus. Agora, porém, já podemos comemorar um retorno expressivo de apreciadores do audiovisual. O teatro e o circo não morreram com os adventos tecnológicos da arte, portanto o rádio, a televisão e o cinema seguem essa lógica”, disse, apontando ainda que a vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro pode impulsionar o investimento no setor.
Quanto ao público presente no Carmem Miranda, Michel revelou uma surpresa que o deixou feliz: “O público jovem em busca de cinema antigo foi o mais interessante. Muitos lotaram as sessões para ver títulos como Nosferatu, de 1922, e ficaram admirados com as técnicas do cinema antigo. Lamentei apenas a ausência de mais estudantes da arte como um todo no cinema. Esse público, em sua maioria, não prestigiou o Cine Carmem Miranda”, completou.











