Lançado mundialmente pela Netflix na última segunda-feira, 14 de julho, “Apocalipse nos Trópicos”, novo documentário da premiada diretora Petra Costa, carrega também um olhar amazonense em meio ao retrato duro da recente história política brasileira. A produção contou com a participação do cinegrafista Tadeu Rocha e da produtora Mariana Filizola, profissionais locais responsáveis pela captação e produção de imagens em Manaus durante o auge da pandemia de Covid-19.
Atualização: além de Mariana e Tadeu, outros profissionais com larga trajetória no audiovisual e jornalismo do Amazonas participaram da produção de “Apocalipse nos Trópicos”. Entre eles estão Fernando Crispim e Orlando Júnior na operação de câmera, Rosiene Carvalho na reportagem adicional, Jorge Eduardo Dantas na consultoria de conteúdo e Carolina Fernandes na pesquisa adicional.
Para Tadeu Rocha, repórter freelancer e um dos principais nomes da fotografia no Amazonas na atualidade, a oportunidade foi mais do que uma realização profissional. “Foi incrível porque sempre fui fã da Petra. Quando surgiu a possibilidade de trabalhar com ela, parecia uma realização pessoal. Ainda mais quando soube que a (produtora) Alessandra Orofino também estava envolvida”, relembra Tadeu, que já havia atuado em um documentário para o jornal britânico The Guardian sobre a crise do oxigênio no Amazonas. Foi justamente essa experiência anterior que abriu portas para o convite em “Apocalipse nos Trópicos”.
Mariana Filizola, mestre em Mídias Digitais e Educação pelo IOE, da University College London, também compartilha da mesma sensação de honra e responsabilidade. “Foi uma experiência muito rica, em um contexto muito duro que vivíamos em Manaus, logo após a crise do oxigênio. Era um momento ímpar para escutar as histórias que a cidade carregava, e poder fazer isso em um projeto da Petra foi muito marcante para mim, tanto pessoal quanto profissionalmente”, destaca.
O trabalho da dupla, porém, foi marcado pelo clima de medo instaurado no período em Manaus. Tadeu relembra a tensão nas ruas, nos personagens abordados, e no próprio processo de filmagem. “Era um convite à empatia, mas era tudo medo. A pandemia, o governo, a pressão nos personagens para se abrirem. Parecia que a gente estava em um cenário de guerra”, afirma. “Documentários como esse têm a força de abrir diálogos, colocar temas duros na roda e não deixar que caiam no esquecimento”.
A participação direta com Petra Costa foi limitada – a produção se dividiu em várias frentes pelo Brasil. “Não tivemos contato com o Brad Pitt, nem com Petra, só com a Alessandra. Descobri a participação do Brad já depois do lançamento”, conta Tadeu, lembrando também da expectativa de assistir ao filme. “Gravamos em 2021, mas a estreia veio só no ano passado em Veneza e agora chega na Netflix. Nem sabemos quantas imagens daqui entraram, vamos descobrir assistindo”.
Para Mariana, o impacto do documentário é ainda maior pela memória coletiva que ele resgata. “É fazer parte de uma produção sobre uma ferida muito recente do Brasil, num momento em que a cidade estava no centro do colapso de saúde. E saber que isso agora ganha o mundo é muito significativo.”
Com olhares atentos às imagens e aos detalhes da cidade em meio ao caos, Tadeu e Mariana ajudaram a eternizar o período mais duro da história recente do Amazonas. E a partir deste julho, o mundo inteiro poderá ver, através da Netflix, um pouco do que eles presenciaram.











