O mundo se trancou em casa desde a chegada da pandemia da COVID-19. Mas, e se o perigo estiver justamente dentro da sua própria residência? Com este ponto de partida, o amazonense Lucas Simões comandou, ao lado de Jorge Vendinha, o terror “Quem Apagou as Luzes?”, curta-metragem selecionado para o “First Time Filmmaker Sessions“. O evento voltado para realizadores em início de carreira será realizado em Londres, no mês de agosto. 

“Quem Apagou as Luzes?” teve as gravações realizadas em plena pandemia, no mês de maio, em Évora, Portugal. Na cidade onde realiza o curso de cinema da universidade local, Lucas se juntou com o ator de Cabo Verde, Fabrisio Canifa, com quem divide uma casa, para gravar o curta-metragem de seis minutos de duração.  

Filmado todo com a iluminação de um isqueiro, o curta-metragem aproveita o confinamento para criar uma experiência claustrofóbica. “Nós gravamos em casa durante três noites, apenas com o intervalo de dois dias antes da última filmagem para rever o que estávamos filmando e fechar pontas soltas da narrativa. A edição levou muito mais tempo; era um processo constante para aprimorar o filme em favor da experiência”, disse Lucas. “O Jorge e eu trabalhamos juntos nos filmes em geral também porque ele mora relativamente perto de nós. Em maio, Portugal já havia afrouxado mais as restrições da quarentena, isso nos possibilitou fazer o filme com mais segurança”, completou. 

PANDEMIA LONGE DA FAMÍLIA 

Antes de ir morar em Portugal, Lucas Simões comandou a Lens Filmes, coletivo de jovens realizadores amazonenses. No grupo, além de produtor dos filmes do grupo, ele dirigiu um curta, o drama de época “O Gato”, e um longa de ação intitulado “Máscara Vermelha”. Em 2017, porém, resolveu mudar de ares para estudar cinema na Universidade de Évora. 

Já na reta final do curso, Lucas se deparou com a maior pandemia do século e admite que a experiência longe de familiares e amigos não tem sido das mais fáceis. “Ninguém espera estar longe de casa quando se inicia uma pandemia. Era algo que eu jamais poderia esperar estar presenciando isso de longe e não poder estar com as pessoas que gostariam da minha presença com elas”, disse. 

Mesmo assim, Lucas não pretende retornar para dar continuidade à carreira aqui no Brasil. “Eu estou com um planejamento, a nível de carreira, e penso que as atuais políticas públicas no Brasil voltadas para o audiovisual não estão a favor dos diretores e produtores, e isso não facilita a vida de quem precisa. A partir de onde eu moro hoje, vou continuar contando as histórias através dos filmes e principalmente buscando novos públicos para elas. O que eu puder fazer ao meu alcance que colabore com o audiovisual brasileiro, farei com certeza”, disse. 

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