“Ainda Estou Aqui” é o novo filme do Walter Salles. Baseado no livro autobiográfico do escritor Marcelo Rubens Paiva, a obra acompanha a trajetória da mãe dele em busca do marido, o deputado Rubens Paiva, desaparecido político durante a ditadura militar.
Protagonizado por Fernanda Torres, Fernanda Montenegro e Selton Mello, o drama pode fazer história para o Brasil no Oscar 2025.
É possível sim acreditar em indicações e, quem sabe, vitória para o filme.
OS RIVAIS
Para começo de conversa, “Ainda Estou Aqui” tem que passar pelo processo da escolha brasileira para ser o nosso representante. E acho que será algo apenas protocolar.
O maior rival do Walter Salles será o Karim Ainouz com “Motel Destino”. A produção ambientada no Ceará chega credenciada por ter disputado a Palma de Ouro no último Festival de Cannes, mas, saiu com reações mistas da imprensa mundial. Ser um thriller erótico também não ajuda muito visto que não tem sido um tipo de filme escolhido para a categoria.
“Os Enforcados” pode ser uma outra opção: com lançamento previsto para o Festival de Toronto, o suspense retoma parceria do diretor Fernando Coimbra com a atriz Leandra Leal após o sucesso de “O Lobo Atrás da Porta”. O Irandhir Santos também está no elenco. Para superar “Ainda Estou Aqui”, porém, a produção terá que ser um fenômeno para ser um rival com mínimas chances.
Digo isso porque “Ainda Estou Aqui” chega à temporada de festivais muito bem cotado a ponto de estar tanto em Veneza como em Toronto, algo para poucos. Caso consiga se sair premiado ou, pelo menos, com ótimas avaliações por parte da crítica, ser escolhido o filme do Brasil para o Oscar será quase que uma imposição natural.
FORÇA EM HOLLYWOOD E NA ACADEMIA
E o histórico do Walter Salles na seleção brasileira é bem positivo.
O cineasta já teve três longas escolhidos: “A Grande Arte”, em 1991, “Central do Brasil” em 1999 e, por fim, “Abril Despedaçado” em 2002. Caso consiga a nomeação por “Ainda Estou Aqui”, o Walter Salles empata com o Nelson Pereira dos Santos, ficando a três do recordista Cacá Diegues.
Falando ainda no Walter Salles, ele é um nome relativamente conhecido dentro de Hollywood e na própria Academia.
O bom relacionamento do cineasta começou, claro, com “Central do Brasil”: apoiado pela Miramax, o drama alcançou um grande feito ao ter Fernanda Montenegro indicada a Melhor Atriz, a primeira nomeação de uma atriz sul-americana por um filme da região na categoria. Depois veio “Diários de Motocicleta”: o road movie sobre Che Guevara obteve duas indicações na temporada de 2005, incluindo, Roteiro Adaptado e a vitória em Canção Original.
Depois disso, Walter Salles se aventurou no cinema norte-americano: primeiro com o terror “Água Negra” e em seguida com “Na Estrada”, adaptação do clássico livro de Jack Kerouac.
Tanto “Água Negra” quanto “Na Estrada” podem até não terem o êxito de “Central do Brasil” em premiações, mas, certamente colocou o Walter Salles no radar do cinema americano. O retorno dele após 12 anos de hiato em longas-metragens ao lado de Fernanda Montenegro ajuda a criar ainda mais expectativa em torno de “Ainda Estou Aqui”.
O drama ainda promete em tocar em assuntos pertinentes ao mundo atual como autoritarismo e violência política aliado à parte emocional de uma família destruída por isso. Aliás, não duvido absolutamente nada que, dependendo claro da repercussão, a Fernanda Torres possa se credenciar para buscar uma vaga em Melhor Atriz. Não será nenhum absurdo isso se, por exemplo, ela sair premiada na categoria em Veneza, onde disputa com Julianne Moore, Tilda Swinton, Lady Gaga e Angelina Jolie.
FORÇA FINANCEIRA
E claro não para esquecer que “Ainda Estou Aqui” já conta com distribuição no mercado norte-americano: a Sony Pictures Classics adquiriu o filme do Walter Salles. O estúdio demonstra bastante otimismo e expectativas para uma temporada de festivais de segundo semestre forte. Ter este tipo de apoio é fundamental para chegar aos membros da Academia, promover sessões especiais, debates, jantares e tudo o que cerca os bastidores do Oscar.
Vale lembrar ainda que Walter Salles é um bilionário e, caso seja preciso, poderá colocar uma graninha do próprio bolso para impulsionar “Ainda Estou Aqui”. E em uma disputa em que a o dinheiro é fundamental para você ter o seu filme visto, este fato pesa bastante.
















