Paulo Halm tem uma extensa e celebrada carreira como roteirista. No cinema, obras importantes como “Pequeno Dicionário Amoroso”, “Guerra de Canudos”, “Quem Matou Pixote?”, isso para citar apenas alguns. Na televisão, sucessos arrasa-quarteirões como as temporadas de “Malhação – Intensa Como a Vida” (2012), “Malhação Sonhos” (2014), e as novelas “Totalmente Demais” (2016) e “Bom Sucesso” (2019), empreitadas em parceria com Rosane Svartman. Ou seja, tem renome no meio do audiovisual. 

Na direção, se dedicou mais aos curtas-metragens, porém, comandou a ficção “Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos” (2009), e o documentário “”Hijab, Mulheres de Véu” (2013). Agora, Halm retorna para a função de diretor em parceria com Svartman como produtora associada e distribuição da Globo Filmes.

E já adianto, caro leitor, “De Pai Para Filho” é um filme regular:

Ex-líder da Capa Preta, uma banda de rock que fez sucesso nos anos 1980, Machado (Marco Ricca) morre depois de uma tentativa frustrada de suicídio. Seu filho, José (Juan Paiva) ao saber da morte, parte para o Rio de Janeiro e como o único herdeiro, tem que cuidar dos trâmites legais e espalhar as cinzas do pai. Nesse ínterim, o jovem faz amizade com a esperta menina Kat (Valentina Vieira), aluna de piano do pai e filha da destrambelhada Dina (Miá Mello). E o mundo dos três se interconecta com uma grande intervenção de Machado: o fantasma camarada.

Halm pega todos os estereótipos possíveis: o rockstar irresponsável e jovem de meia idade (Ricca), um jovem idoso certinho e responsável (Paiva), a garota esperta (Valentina) e a mãe fora do ar (Miá). Sobra até para o porteiro roqueiro e intrometido com o sugestivo nome de Rélvis (Sérgio Medeiros).

Nesse balaio pop com ares da supracitada “Malhação” e/ou séries infanto-juvenis da Disney/Gloob, Halm demonstra que nem tudo é o que parece ser no primeiro momento. E explica detalhadamente os motivos de cada personagem ter sua personalidade, o que tira o charme da projeção. O grande achado mesmo é a relação entre mãe e filha, cúmplices, amigas, mas sem deixar de lado essa relação que, embora sadia, é hierárquica e tem muito amor e respeito. Diferente de pai e filho que não tiveram relação sequer para além da primeira infância quando o rockstar abandonou sua família por um sonho. E o que é a vida sem sonhos e impulsos? Há esse questionamento, também atrelado ao plot Carlos (breve participação de Thiago Fragoso como pai e marido de Kat e Dina).

Percebe-se a construção visual bastante cuidadosa com direito a um vinil do “Pluft – O Fantasminha”, aparecendo de relance como o elo entre filho e o pai fantasma que quer direcionar e colocar em ordem, tardiamente, os sentimentos e ações do seu filho. “De Pai Para Filho” cumpre aquela máxima de “aprender a viver”, “superar a dor depois do trauma”, etc e etc. Mas tudo é tão raso quanto um episódio de 30 minutos em uma série de tevê. Pelo menos a música original não saiu da cabeça até agora:

Estava na chuva,
m
olhado
abandonado, 
quando você me encontrou.
Estava à deriva,
perdido,
fudido,
quando você me encontrou.
Juntou os meus cacos,
consertou tudo que estava bagunçado,
me beijou a boca,
com um gosto que nunca tinha provado.
Você me fez tão bem,
Meu bem.
Quero ser bom pra você, também. 
Você me fez tão bem,
Meu bem.
Quero ser bom pra você, também.