Poucas atrizes são tão regulares e talentosas no cinema americano atual do que a Julianne Moore. A estrela norte-americana estrelou filmes de diretores do naipe de Gus Van Sant, Paul Thomas Anderson, David Cronenberg, Fernando Meirelles, Stephen Daldry e, claro, Todd Haynes, grande parceiro dela nas telonas.
Neste novo vídeo do Cine Set, eu faço um ranking das cinco atuações da Julianne Moore indicadas ao Oscar, além de citar a maior esnobada da carreira dela.
5. “PARA SEMPRE ALICE”
A Julianne Moore entrou para aquela extensa lista de grandes atores premiados pelo Oscar por papéis que estão bem longe de serem os seus melhores. De todos os trabalhos dela lembrados pela Academia, aliás, “Para Sempre Alice” era o pior.
Dizer isso não significa que ela esteja mal: interpretando uma mulher nos primeiros estágios do Mal de Alzheimer, a Julianne Moore realmente comove com uma personagem que vê a vida se desestruturar aos poucos à medida que a doença neurodegenerativa avança. Da sutileza aos momentos mais dramáticos, a estrela domina o filme cercada de um ótimo elenco coadjuvante.
“Para Sempre Alice” sofre com o formato quadradão adotado pela direção que tira muito da força que a história poderia alcançar, mas, a Julianne Moore está inegavelmente muito bem. Fica apenas aquele gosto de que venceu por uma obra menor enquanto teve inúmeras possibilidades ao longo da carreira de ser prestigiada por filmes mais fortes.
4. FIM DE CASO
Segunda indicação da carreira da Julianne Moore, “Fim de Caso” é um melodrama clássico do Neil Jordan em que a atriz forma um par elegante com o Ralph Fiennes.
O amor palpável entre os personagens ganha novos contornos a partir de um momento chave muito bem defendido pela estrela.
Uma atuação à moda antiga extremamente elegante.
3. AS HORAS
A medalha de bronze fica com “As Horas”: Moore interpreta a mãe dos anos 1950 sufocada pela perfeição exigida dela em relação à família naquela sociedade patriarcal.
Como sabemos que ela é a mãe do personagem do Ed Harris, o impacto das ações ganha uma força ainda maior por sabermos como afetará aquele pequeno rapaz, mas, sem nunca esquecer que ali está uma mulher desesperada.
Na minha visão, a melhor do trio de protagonistas que ainda conta com Nicole Kidman e Meryl Streep, dimensionando bem o tamanho do trabalho.
2. BOOGIE NIGHTS
“Boogie Nights” fica no segundo lugar desta lista. Paul Thomas Anderson e o diretor de fotografia Robert Elswit captando a beleza exuberante de Julianne Moore com ela trazendo uma personagem complexa: uma atriz pornô dividida entre ter a autonomia da própria vida e o sofrimento das escolhas dela afastá-la do filho.
Grande atuação que, ao lado de Burt Reynolds, é a melhor de um elenco excepcional.
1. LONGE DO PARAÍSO
Por fim, o primeiro lugar deste TOP 5 escolho o maior parceiro cinematográfico da carreira de Julianne Moore.
A estrela e o diretor Todd Haynes fizeram juntos “Mal do Século”, “Não Estou Lá”, “Sem Fôlego”, “Segredos de um Escândalo” e “Longe do Paraíso”.
Neste brilhante melodrama de 2002, Moore também passeia pela falsa perfeição do american way of life escondendo o racismo e a homofobia.
Cabe à atriz ser uma espécie de contraponto decisivo e desequilíbrio daquele universo de forma elegante e inteligente.
A ESNOBADA
Esnobadas não faltaram na carreira da Julianne Moore sendo três delas bastante marcantes.
Em “Minhas Mães e Meu Pai”, ela viu seus companheiros de elenco Mark Ruffalo e Annette Bening indicados, porém, ficou de fora. Havia sim espaço para ela, pelo menos, em coadjuvante.
Premiada no Festival de Cannes e indicada ao Globo de Ouro, a Julianne Moore merecia demais aparecer no Oscar 2015 pelo impressionante trabalho de uma estrela de Hollywood no limite da sanidade em “Mapas Para as Estrelas”. No longa do David Cronenberg, ela está anos luz à frente, por exemplo, de “Para Sempre Alice”; se fosse para ter vencido naquela temporada, era para ser aqui.
Por fim, tem “Segredos de um Escândalo”: certamente, a esnobada da Moore foi uma das mais sentidas do Oscar deste ano. A atriz está brilhante como uma figura de grande dualidade, afinal, cometeu um grave crime, pagou por isso, mas, seguiu a vida da forma como idealizou ainda que com grandes custos para todos ao redor. O choque trazido pela Natalie Portman escancara isso.
Entre todas estas, apesar de amar o desempenho de “Segredos de um Escândalo”, novamente ao lado do Todd Haynes, considero a maior esnobada aqui vinda de “Mapas para as Estrelas”


















