Pela primeira vez em mais de 20 anos, o Oscar terá uma nova categoria: Melhor Seleção de Elenco estreia na edição deste ano. Antes dela, a última vez que uma adição foi feita ao evento aconteceu na edição de 2002 com Melhor Animação.
A inclusão de Melhor Seleção de Elenco no Oscar configura um marco importante para essa classe que, nos bastidores, já vinha fazendo campanha pela categoria. Esse reconhecimento da Academia reforça a valorização de uma função que, por muito tempo, foi invisibilizada e vista como puramente administrativa, mas que exerce um papel criativo indispensável à execução cinematográfica.
Além disso, é impossível não celebrar uma categoria que, em sua estreia, já traz ao Brasil mais uma indicação: a de Gabriel Domingues, responsável pelo elenco de “O Agente Secreto”.
Com quase um século de história, não é de surpreender que essa não seja a primeira vez que a Academia precisou incluir ou retirar uma categoria de sua premiação. As constantes transformações da indústria cinematográfica e a necessidade da Academia de se adaptar às demandas de cada período tornam algumas categorias mais relevantes com o passar dos anos, ao mesmo tempo em que torna outras obsoletas e passíveis de serem retiradas.
Confira abaixo cinco categorias que já existiram e foram removidas do Oscar:
Melhor Escrita de Títulos (1929)
1929 foi o ano que marcou a primeira cerimônia dos Oscars, assim como também marcava o início do fim da era do cinema mudo. Ainda assim, essa primeira edição contou com o prêmio de “Melhor Escrita de Títulos”, responsável por premiar os textos e diálogos entre cenas, típicas do cinema mudo. No ano seguinte, a categoria já seria extinta.
Melhor Direção de Dança
Com a ascensão dos musicais, impulsionados por uma indústria que desejava valorizar-se ao máximo com a chegada do cinema falado, a categoria de Melhor Direção de Dança foi introduzida em 1936. No entanto, acabou extinta três anos depois, antes mesmo do auge da era de ouro dos musicais em Hollywood.
Melhor Engenharia de Efeitos
Precursor da categoria de “Efeitos Visuais”, essa categoria esteve presente somente na primeira edição, em 1929. Em 1940, voltou como prêmio honorário sob o nome de “Melhores Efeitos Especiais”, apenas para ser extinta novamente entre 1973 e 1978. Em 1979, a categoria conquista seu espaço na competição fixa, onde permanece até hoje como “Melhores Efeitos Visuais”
Prêmio Juvenil da Academia
Na década de 30, estavam em alta os filmes com estrelas juvenis. Com o intuito de reconhecer o trabalho das crianças, mas sem colocá-las em embate direto com atores veteranos, é criado em 1935 um prêmio honorário para os artistas menores de 18 anos: o “Oscar Juvenil”. A entrega do prêmio, um Oscar em miniatura, aconteceu de forma intermitente por mais 25 anos, até ser extinta em 1961.
Edição de Som e Mixagem de Som
Desde a primeira edição do Oscar, a categoria de som já estava presente com a categoria “Melhor Som”, que durou décadas até se tornar “Melhor Mixagem de Som” em 2001. Em 1964, é adicionado o prêmio de “Melhores Efeitos Sonoros”, que em meio a retiradas e mudanças de nome, volta em 1981 com o nome “Prêmio de Realização Especial (Edição de Efeitos Sonoros)”, que se tornaria “Melhor Edição de Som” em 2001. Em 2021, ambas as categorias (“Melhor Mixagem de Som” e “Melhor Edição de Som”) são unificadas em “Melhor Som”.
Melhor Direção Assistente
A categoria de Melhor Diretor Assistente existiu no Oscar por apenas cinco anos. Em sua primeira edição, em 1933, o prêmio não estava ligado a um filme específico: a Academia homenageou profissionais de diferentes estúdios de Hollywood, resultando em sete vencedores. Nos anos seguintes, o formato mudou e os indicados passaram a ser associados a produções lançadas naquele período, com menos concorrentes. Apesar de diretores e atores receberem a maior parte da atenção durante a temporada de premiações, o trabalho do diretor assistente é fundamental no set. As razões para a extinção da categoria nunca ficaram totalmente claras, mas muitos defendem que o prêmio poderia retornar para reconhecer esses profissionais essenciais da indústria cinematográfica.
MELHOR TRILHA SONORA DE COMÉDIA/MUSICAL
No Oscar de 1996, que premiava os filmes lançados em 1995, a Academia decidiu dividir a categoria de Melhor Trilha Sonora Original em duas: Musical ou Comédia e Drama. A mudança abriu espaço para que produções de estilos diferentes fossem reconhecidas simultaneamente — naquele ano, por exemplo, Emma venceu na categoria Musical ou Comédia, enquanto O Paciente Inglês levou o prêmio de Trilha Dramática. A divisão permaneceu por apenas quatro anos e acabou permitindo que diversas trilhas marcantes da década de 1990 fossem premiadas. Ainda assim, a Academia voltou a unificar a categoria em 2000, entendendo que manter duas premiações separadas era redundante diante da existência de um único prêmio principal para trilha sonora.
Melhor Filme Único e Artístico
A categoria Melhor Filme Único e Artístico apareceu apenas na primeira cerimônia do Oscar, em 1929. O prêmio foi concedido a Aurora (Sunrise), dirigido por F. W. Murnau, como forma de destacar obras de grande valor estético e relevância cultural. No entanto, a categoria acabou sendo abandonada logo após essa primeira edição porque era muito semelhante ao prêmio de Melhor Filme (na época chamado Outstanding Picture). A Academia concluiu que manter duas premiações com propostas parecidas gerava redundância, optando por concentrar o reconhecimento principal apenas na categoria que permanece até hoje.
AS MUDANÇAS DE CURTAS-METRAGENS
A cerimônia do Oscar de 1932 foi a primeira a incluir categorias voltadas especificamente para curtas-metragens, ampliando o reconhecimento de diferentes formatos de produção cinematográfica. Naquele momento, foram criadas premiações para curtas animados e também duas categorias para produções em live-action. Embora os curtas continuem sendo premiados pela Academia até hoje, a categoria Best Short Subject — Novelty existiu por apenas quatro anos. O termo “novelty” funcionava como um rótulo amplo para obras que não se encaixavam em animação ou comédia, reunindo gêneros bastante distintos. Assim, um curta de aventura podia vencer em um ano e um documentário no seguinte — algo que hoje parece estranho, mas que continuou ocorrendo por algum tempo mesmo depois da extinção da categoria.
No mesmo ano em que surgiu a categoria Best Short Subject — Novelty, a Academia também criou o prêmio Best Short Subject — Comedy, dedicado a curtas de comédia. Ambas existiram entre 1932 e 1935, até serem unificadas em uma única categoria de curta-metragem que deixou de ser definida por gênero — formato mais próximo do modelo utilizado atualmente no Oscar. Em cada edição, apenas três filmes eram indicados, totalizando 12 curtas de comédia ao longo da existência da categoria. Posteriormente, a Academia reorganizou essas premiações dividindo os curtas pelo tamanho do filme, como produções de um ou dois rolos. Curiosamente, essa divisão mostra que, já naquela época, havia uma tentativa de dar maior visibilidade às comédias, um gênero que ainda hoje costuma ser pouco valorizado pela premiação.
Após o fim das categorias Short Subject — Comedy e Short Subject — Novelty, a Academia decidiu reorganizar os prêmios de curta-metragem a partir de 1936, passando a dividi-los conforme a duração dos filmes: produções de um rolo e de dois rolos. A ideia era evitar que curtas com tempos muito diferentes competissem entre si. Esse modelo permaneceu por cerca de 20 anos, sendo encerrado em 1957, possivelmente porque os filmes estavam se tornando mais longos e as tecnologias de produção evoluíam rapidamente. Atualmente, a Academia considera como curta-metragem qualquer filme com até 40 minutos, reunindo todos na mesma disputa dentro das categorias de curta.
Entre as categorias que ainda existem no Oscar, as dedicadas aos curtas-metragens foram as que mais passaram por mudanças ao longo do tempo. Uma dessas variações foi a criação de um prêmio específico para curtas em cores, que existiu apenas em 1936 e 1937. Na época, filmes live-action coloridos ainda eram uma novidade tecnológica, o que levou a Academia a destacá-los em uma categoria própria — embora as animações já utilizassem cores havia alguns anos. No entanto, com a rápida popularização da tecnologia, essa distinção se tornou desnecessária. A partir de 1938, os curtas coloridos passaram a competir junto com os demais, restando apenas a divisão entre produções de um rolo e dois rolos.
MELHOR DIRETOR DE COMÉDIA
Na primeira cerimônia do Oscar, realizada em 1929, existiu uma categoria específica de Melhor Diretor — Comédia. O prêmio foi conquistado por Lewis Milestone, pelo filme Two Arabian Knights, superando os outros indicados, Charlie Chaplin e Ted Wilde. A categoria refletia uma tentativa inicial da Academia de reconhecer diferentes estilos de direção, mas foi abandonada já no ano seguinte, em 1930. A principal razão é que o prêmio geral de Melhor Direção já contemplava filmes de qualquer gênero, tornando desnecessária uma distinção exclusiva para comédia. Embora o Oscar costume favorecer dramas em suas principais categorias, não há grande justificativa para recriar um prêmio específico para esse gênero, ainda que premiações como o Globo de Ouro mantenham divisões semelhantes entre drama e comédia.
Melhor Trilha Sonora Adaptada
Entre 1962 e 1967, o Oscar adotou uma divisão semelhante à existente nas categorias de roteiro, separando Trilha Sonora Original e Trilha Adaptada. Essa última reconhecia composições baseadas em músicas já existentes, comuns em adaptações de musicais ou obras que já possuíam material musical anterior, como peças teatrais. Filmes como My Fair Lady e A Noviça Rebelde venceram nessa categoria durante o período em que ela existiu. Diferentemente de outras categorias extintas, essa distinção poderia fazer sentido hoje, pois daria mais visibilidade ao trabalho de compositores que adaptam trilhas pré-existentes — algo especialmente relevante em adaptações de musicais. Uma categoria de Melhor Trilha Adaptada ampliaria o reconhecimento desse tipo de criação dentro da premiação.






















