A premiação do Oscar 2025 é altamente aguardada, especialmente pelo filme brasileiro “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, que está concorrendo em várias categorias. O público brasileiro, em especial, torce para que o filme e a atriz Fernanda Torres conquistem o primeiro Oscar do Brasil. Para apoiar, indígenas de Manaus realizaram um ritual no dia 28 de fevereiro, organizado por Thaís Kokama, para atrair boas energias ao filme e à atriz.

O ritual e a exibição do filme acontecem no “Cine Aldeia”, a primeira sala de cinema em território indígena no Brasil, inaugurada em janeiro de 2025. A cineasta Thaís Kokama acredita na importância de promover o filme, que retrata a luta de uma família por justiça durante a ditadura militar. O evento contará com exibições de filmes regionais e o “Ritual da Vitória”, liderado pela pajé A-yá Kukamíria, além da exibição ao vivo do Oscar.

“O filme serve como um grande testemunho “vivo” na pele de uma família que lutou por justiça e dignidade durante a ditadura militar e que reflete essa resistência e liberdade de expressão através de Eunice Paiva, que dedicou seus últimos anos de vida à luta pelos povos originários. Esse é um fator importante para que todos nós, pessoas indígenas, estejamos torcendo pelo filme e pelo cinema brasileiro. O Oscar já é nosso”, destacou.

Haverá exibições de filmes produzidos na região, com programação das 16h às 18h. Em seguida, ocorrerá o “Ritual da Vitória”, realizado pela pajé A-yá Kukamíria, com defumação, danças e cantos em celebração às boas vibrações para o filme que concorre ao Oscar. Após o ritual, a sala de cinema continuará com a programação de exibições de filmes locais.

No domingo, 2 de março, a programação incluirá a exibição do clássico “Central do Brasil”, que também concorreu ao Oscar, e, em seguida, a cobertura ao vivo do Oscar 2025. Esses eventos serão exclusivos para indígenas e convidados da produtora.

O “Cine Aldeia” foi idealizado por Thaís Kokama e começou em 2019, oferecendo atividades cinematográficas para a comunidade indígena. Inaugurado oficialmente em fevereiro, o espaço foi adaptado com recursos da Lei Paulo Gustavo e busca incentivar a produção audiovisual na região, beneficiando as comunidades locais e indígenas. A sala, construída no formato de uma “oca” e com materiais recicláveis, é ecologicamente sustentável, movida a energia solar.