O que é a vida senão o sentir? Enquanto estamos vivos, sentimos. Sentimentos bons, ruins, o sentir do não-sentir, enfim. Há muitos sentimentos envolvidos nas nossas experiências pessoais e coletivas. O fim de um término de um longo relacionamento manifesta os mais diversos sentimentos. E é nesse sentido que Daniel Ribeiro chega ao seu segundo longa-metragem depois do sucesso “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” (2014).

Logo no início de “13 Sentimentos” há uma informação importante: “baseado em sentimentos reais”. E quais sentimentos são esses? Bem, para Ribeiro são eles: felicidade, tesão, paixão, raiva, tédio, ansiedade, frustração, vergonha, nostalgia, tristeza, conforto, calma e esperança. 

A seguir, alguns sentimentos que senti ao longo da película:

Felicidade

Guardada às devidas proporções, o roteiro, se enxugar bastante, tem realmente uma trama interessante: a modernidade líquida, o imediatismo das relações, a necessidade de suprir e preencher o corpo e mente tão logo para não ter essa sensação de vazio que se infla na projeção que colocamos, também, na ficção, como o personagem principal, João (Arthur Volpi) e sua característica em roteirizar sua vida como uma série. A busca desenfreada nos apps de pegação da vida, dentre outros vícios saudáveis ou não para compor uma vida menos ordinária.

“O problema da paixão inventada da paixão real é que o corpo não sabe inventar o corpo sofre do mesmo jeito”, diz João em certa cena. Há uma verdade genuína nessa frase, as projeções e paixões que colocamos no outro (ou nos outros) para reafirmar nossas vivências.

Frustração

Mas aí vem a frustração. O potencial desperdiçado do roteiro, numa narrativa quase que amadora e arrastada. A naturalidade em cena parece forçada e alguns diálogos dão um misto de sensações e nenhum bom.

Tesão

Aqui, há um porém. Para além da cena de sexo (muito bem executada), o tesão é muito mais ampliar a perspectiva do seu olhar para sua vida e perceber ao redor, dar atenção ao olhar periférico e sentir esse tesão de completude mesmo nas adversidades momentaneas.

Conforto

Nossa geração millennial está meio que em crise, muito mais pela ânsia e necessidade do sucesso e padrões sociais de uma vida plena os 30 que outra coisa. Vejo que a associação maior de muitos espectadores do filme estará nesse sentido da vida em desalinho e buscar por outras oportunidades de vida para, olha só, sobreviver.

No fim, penso que “13 Sentimentos” poderia ser muito mais do que ele foi. Mas sentimentos também são bastante particulares e peculiares. Quais os seus ao final do filme?