Quando a premissa de um filme instiga a curiosidade, já é meio caminho andado para gerar interesse e atrair espectadores. E isso é ótimo: filmes devem ser vistos. Por isso, quando uma obra consegue despertar dúvida e atenção, mas não mantém a força de sua proposta, o exercício de vê-la se torna amargo. O suspense alemão com toques de ficção científica, Brick, oferece essa construção inicial e atende a propósitos que podem ou não agradar.

A narrativa gira em torno de um casal em crise após uma tragédia pessoal: Tim (Matthias Schweighöfer) e Olivia (Ruby O. Fee) tentam seguir com o relacionamento, sem muito êxito. Certo dia, percebem que o apartamento em que vivem está cercado por uma parede extensa de tijolos pretos. Logo entendem que se trata de um muro impenetrável ao redor do prédio e que o contato com os vizinhos pode ser a chave para a sobrevivência.

O filme parte dessa célula funcional e tenta conquistar o público rapidamente, buscando gerar identificação com as dores, temores e frustrações do casal protagonista — e até consegue, em certa medida. Não demora para que a parede se torne o norte da narrativa, enquanto o roteiro insere situações de conflito e desordem psicológica a cada nova descoberta e interação com os outros moradores. Brick tenta sustentar, a todo momento, um ambiente de claustrofobia e reclusão, tanto pela direção inquieta de Phillip Koch quanto pela fotografia, que prioriza espaços fechados, sombrios e sem luz natural.

No entanto, a história falha no bom condicionamento de suas ideias. Faltam estrutura, corpo e domínio narrativo. Brick não atinge a concisão necessária para transformar a premissa em algo realmente impactante, e a falta de acontecimentos relevantes faz o filme recorrer a soluções básicas. Desde o início, os personagens e suas ações são apresentados de forma muito direta e didática — uma constante ao longo da obra, que subestima a inteligência do público ao mastigar demais suas respostas.

Um filme não precisa soar distante ou hermético para funcionar, mas precisa confiar mais na capacidade de interpretação do espectador. As coincidências profissionais dos protagonistas, que coincidem perfeitamente com as necessidades do roteiro, denunciam conveniências mal disfarçadas. Ações previsíveis e soluções batidas dominam a trama. O suspense provoca, mas não impacta. O uso da tecnologia como instrumento de controle social é o único elemento de ficção científica que ainda guarda algum interesse. No fim das contas, Brick é um apanhado de tentativas frustradas de criar uma história criativa e envolvente, restando-lhe apenas o lugar-comum.