Se você se divertiu com a química de Idris Elba e John Cena juntos em O Esquadrão Suicida, eu tenho uma boa notícia para te contar: essa dupla dinâmica está de volta como protagonista do mais novo filme de ação da Amazon MGM Studios. Um pouco mais “engomadinhos” que o normal, mas com a mesma acidez de sempre.
Em Chefes de Estado, ambos interpretam políticos rivais que já se enfrentaram em campanhas opostas e que não possuem um relacionamento amigável. Entretanto, por obra de uma conspiração política, os dois acabam caindo em uma armadilha e descobrem que precisam trabalhar em equipe se quiserem sobreviver a novos ataques. Além dos dois, Priyanka Chopra Jonas também integra o elenco como uma agente secreta que, no passado, teve relações com Sam Clarke (Idris Elba). A estrela de Quantico entrega uma ótima performance e mostra que ainda está em plena forma para executar cenas de ação com bastante veracidade.
Em relação à dupla Elba & Cena, os dois seguem com uma forte conexão em tela (e também fora dela, ambos são produtores executivos do longa). Seus personagens são carismáticos e muito do humor do filme funciona graças às suas atuações. John Cena, em especial, se destaca pelo carisma e pelo timing cômico preciso, sendo o responsável por fazer muitas das cenas realmente funcionarem. Seu personagem, além de ocupar o cargo máximo do Executivo nos Estados Unidos, também possui um passado como ator famoso de filmes de ação, uma referência clara ao ator austríaco Arnold Schwarzenegger.
Apesar do esforço, a obra tropeça em clichês do gênero e se contenta com uma narrativa previsível, que pouco arrisca ou surpreende. O roteiro traz algumas boas piadas, mas nem todas acertam o tom. Em diversos momentos, o humor parece forçado ou mal distribuído, dependendo demais da energia do elenco para manter a leveza da história.
A trama segue exatamente o que se espera de um filme de espionagem: organizações secretas, missões impossíveis, vilões genéricos e reviravoltas fáceis de prever. Embora Chefes de Estado tente brincar com alguns desses clichês, o filme nunca parece plenamente consciente de suas limitações. Em vez de explorar ou subverter o gênero, ele se apoia nas fórmulas já conhecidas, sem trazer grandes novidades.
A direção de Ilya Naishuller, conhecido por seu trabalho enérgico em Hardcore Henry, aqui é mais contida. Ainda que eficaz nas sequências de ação que são, sem dúvida, um dos pontos altos da obra, a direção raramente se destaca. Naishuller opta por planos convencionais e escolhas visuais seguras, o que reforça a sensação de que o filme nunca ousa de fato.
Outro ponto fraco está no desenvolvimento dos personagens secundários. O vilão vivido por Paddy Considine é unidimensional: ele até tem uma motivação, mas esta nunca é realmente explorada. Seu arco é superficial e carece de uma resolução satisfatória. Além disso, personagens que inicialmente pareciam centrais para a trama simplesmente desaparecem no terceiro ato, como se fossem descartáveis.
Apesar desses problemas, Chefes de Estado conta com um elenco bem escalado, com Idris Elba oferecendo a solidez e a presença de sempre, mesmo que seu personagem não tenha muito espaço para se aprofundar. A química entre ele e Cena sustenta boa parte do filme. Algumas piadas sobre geopolítica mundial até surpreendem, todavia, a trama não vai muito além disso.
No fim das contas, Chefes de Estado funciona como aquele tipo de filme que você assiste em um domingo à tarde, com a família, em frente à TV no melhor estilo “Temperatura Máxima” da Globo. É entretenimento descompromissado, eficiente dentro de seus limites, mas que dificilmente deixará uma marca duradoura ou será lembrado como algo além de “mais um” dentro do gênero.














