Steven Spielberg sempre teve o dom do sucesso. Ele é o diretor de maior bilheteria all time. Spielberg não dirigiu este filme, mas foi sua produtora quem deu a oportunidade de tirar do papel o clássico definitivo sobre viagens no tempo, que comemora 4 décadas neste ano. 

De Volta para o Futuro conta a história do adolescente Marty McFly, que é transportado para o ano de 1955, quando uma experiência do excêntrico cientista Doc Brown é mal sucedida. Marty viaja pelo tempo em um carro modificado e acaba conhecendo seus pais ainda jovens, causando graves problemas porque interferiu na relação de seus pais e de sua própria existência. Para complicar ainda mais a situação, Marty precisa voltar para casa a tempo de salvar o cientista.

“De Volta para o Futuro” completa 40 anos mantendo a capacidade de continuar encantando como se fosse novidade. Lançado em 1985 e dirigido por Robert Zemeckis, o longa não depende apenas da premissa da viagem no tempo — embora ela seja brilhante — mas constrói uma história profundamente humana, familiar e identificável dentro de um espetáculo pop, que é talvez o que a faça ter durado tanto tempo no imaginário popular. 

O roteiro, de autoria de Bob Gales e do próprio Zemeckis, surgiu de uma indagação de Gales se ele e seu pai seriam amigos se tivessem a mesma idade e estudassem juntos, mas somente uma volta ao tempo poderia comprovar sua teoria. A história estava feita. É certo dizer que ao menos em um momento da sua vida você não gostaria de voltar ao passado, seja para fazer diferente, impedir algo ou só reviver o momento. Os estúdios não acreditaram a princípio, mas a trama apesar de revestida de ficção científica, é uma comédia gostosa e um drama familiar irresistível – tanto que me peguei rindo e torcendo várias vezes para tudo dar certo, num filme que tem o dobro da minha idade. Marty McFly (Michael J. Fox) e Doc Brown (Christopher Lloyd) atravessaram décadas, mas o que realmente atravessa o tempo é a mistura de aventura, humor e emoção que permanece atual para diferentes gerações.

Christopher Lloyd como o “cientista maluco” Doc Brown é simplesmente inesquecível, encontrando um equilíbrio perfeito entre genialidade e loucura. Seu olhar elétrico, a fala acelerada e os gestos imprevisíveis dão vida a um cientista que poderia ser apenas uma caricatura, mas que se torna um amigo, um guia e até uma espécie de figura paterna para Marty. Michael J. Fox, por sua vez, conduz a história com carisma natural, fazendo-nos torcer para ele até mesmo quando ele está sendo extremamente irritante ao deliberadamente bagunçar sua existência futura. O filme ainda conta com um polêmico entrecho de incesto – que inclusive fez a Disney recusar a história. Nada polêmico, mas curioso. 

Os efeitos especiais de “De Volta para o Futuro” são um trunfo à parte. Há um aspecto quase artesanal ali — como se cada faísca, cada trilha de fogo e cada reconstituição da década de 50 carregassem o cuidado de quem queria inventar algo novo, não impressionar pelo excesso. A trilha sonora, a montagem que nunca perde o ritmo em quase 2 horas de filme e a leveza com que a aventura se desenrola criam uma sensação de divertimento sem esforço.

Assistir à “De Volta para o Futuro” hoje é perceber que o tempo passa, mas boas histórias encontram sempre um novo público. E é exatamente por isso que celebrar seus 40 anos é um reconhecimento de que certos filmes não envelhecem — eles se tornam parte da nossa memória coletiva, verdadeiros clássicos. No fim, ele fala sobre algo que todo mundo sempre entenderá — a vontade de mudar o tempo, nem que seja só um pouquinho.