Quanto mais Euphoria se aproxima para um desfecho, mais doloroso é assistir o destino de seus personagens. Em um episódio morno, de conexão e repetição narrativa, apenas se destaca positivamente a preocupação da série em retratar a mentalidade de uma nova geração e os perigos ocasionados por esse comportamento.
Desta vez, as tramas se dividem muito bem entre a ascensão como influencer de Cassie (Sydney Sweeney) e o perigoso drama de Rue (Zendaya). Do lado mais colorido e sem noção, Cassie tem tudo para ser a personagem que amamos odiar – o ragebait usado novamente. Em todas as situações com potencial para uma redenção ela acaba indo na direção oposta como trair a confiança de Maddy (Alexa Demie) novamente.
O episódio esclarece a motivação de Cassie através de sua personalidade moldada em busca de validação alheia, algo trazido amplamente pela posição digital alcançada. Esse “sonho” só foi permitido em cima da desgraça de Nate e tal legitimação do marido foi o último elemento necessário para trazer à tona a personagem errática que conhecemos.
A cena referenciando o ‘Ataque da Mulher de 15 Metros’ é a simbologia de uma Cassie imponente, diferente daquela que chegou a Maddy com suas inseguranças. Esse momento, assim como muitas outras cenas no episódio, apenas embeleza histórias vistas anteriormente. Mesmo este não sendo meu recurso favorito, não existe nada mais Euphoria que isso, o estilo visual para reforçar um ponto é a essência da própria série.
Toda essa superficialidade e sexualização nas cenas de Sweeney evidencia o retrato de uma geração atual, a qual não apenas consome conteúdo digital como também dita muito do que é tendência. Entretanto, existe um limite ultrapassado pelos personagens para se inserir nesse meio, sendo exemplificado com a conexão narrativa direta entre a prostituição física e digital.
Esse subtexto fica claro com Maddy e sua explicação sobre a construção de narrativas por detrás de plataformas digitais. Dentro dessa trama, Maddy é a conexão entre os dois núcleos principais da série. Mesmo que sua motivação não seja condizente para Rue nem para o próprio público, bastam algumas cenas para entender o pensamento da personagem que o dinheiro vai resolver seus problemas – não importando de onde ele venha.
Com menos tempo em tela, Rue é a grande fonte de tensão e promessa de uma trama mais explosiva. Assim, sua aparição é limitada, porém, relevante. Diferente dela, Nate (Jacob Elordi) e Jules (Hunter Schafer) aparecem quase que de forma protocolar.
É comum no decorrer de algumas séries personagens sumirem por alguns episódios até suas narrativas se tornarem relevantes. Acredito que este fosse uem tratamento mais digno para Nate e Jules fadados a aparecer em cenas repetitivas.
Os momentos de maior tensão são bem construídos, mas, em comparação ao que foi visto até então, perdem impacto. Rue mais uma vez com a cabeça na mira, Cassie e a infinidade de fetiches, Nate e seus dedos arrancados – tudo isso já esteve explícito em tela.
Em linhas gerais, esse é um episódio de conexão para a temporada, se encaminhando para o desfecho. Isso não significa, entretanto, que a história precise ocorrer com versões alternativas de si mesma, sendo verdadeiramente intrigante apenas acompanhar como os personagens conseguem se afundar cada vez mais em suas escolhas.













