Fenômenos da cultura pop, os simpáticos Minions conquistaram o coração de milhares de crianças ao redor do mundo. Com seu humor jocoso e linguajar único, os personagens se tornaram uma máquina de dinheiro para os bolsos da Illumination, tanto nos cinemas como em produtos licenciados. Em sua terceira aventura nas telonas, Minions e Monstros impressiona ao ser um manifesto de admiração aos primórdios do cinema em uma dinâmica envolvente que representa uma melhoria aos seus antecessores.

Assim que os créditos iniciais aparecem já são o suficiente para abrir um sorriso no rosto de qualquer cinéfilo com as homenagens aos primeiros filmes da história. Isso permeia toda a primeira metade do filme em que o roteiro insere diversas referências a filmes clássicos do cinema. Algumas são bem sutis e outras recriações hilárias de cenas antológicas, prestando um tributo à era de Ouro das produções cinematográficas. O mais engajante é que são tantas menções que o amante da sétima arte vai se deliciar caçando cada filme que é referenciado, incluindo uma participação de um renomado diretor. Cidadão Kane (1941), A Bolha Assassina (1958) e O Dia em Que a Terra Parou (1951) são apenas alguns dos diversos filmes reportados no longa.

Seguindo uma estrutura narrativa bem similar ao filme Ed Wood (1994), de Tim Burton, a história foca no incompreendido Minion James na sua jornada para produzir um longa-metragem de monstros. Diferente pelo seu talento criativo de contar histórias e rejeitado pelos demais do seu grupo, ele ganha apoio dos minions Henry e Ed, um deficiente auditivo, criado para acentuar um importante discurso de inclusão e diversidade. Sob a ótica deles, o filme lida com o deslumbramento que o cinema causa, do poder da magia e da inocência do início do audiovisual.

O teor metalinguístico é impregnado na obra. Em uma cena, o filme adentra em um estúdio, mostrando como os efeitos especiais eram realizados, trazendo um ar de fascinante de como tudo era e começou. É o sentimento que o cinema desperta, dos sonhos virando realidade e da força de vontade de contar histórias. Uma sacada genial da obra foi abordar de forma cômica a transição do cinema mudo para o sonoro, associando a participação dos Minions nesse processo.

Esse aceno à realidade reflete um momento crucial desse período, da necessidade de se adaptar às novas mudanças e da lembrança desse passo revolucionário. Muitos artistas tiveram dificuldades nessa fase de se reinventar e alguns não conseguiram superá-la, sendo o Buster Keaton um dos maiores exemplos disso. O respeito não reside apenas nas referências, mas na beleza da descoberta e contexto histórico de uma forma geral.

Em meio ao caos coordenado da direção de Pierre Coffin, o filme tem um fluxo elétrico anárquico, em que o humor físico e nonsense perpetuam com a mesma intensidade. O diretor preenche o segundo plano da animação com ações e reações de figurantes que deixam a animação viva e repleta de detalhes. O realizador entende o peso de cada alusão aos filmes e gêneros para o público e mantém tanto o interesse do adulto como da criança na história.

Quando o filme deixa um pouco de lado a metalinguagem para dedicar-se à trama principal, ele não carrega a mesma força. A aventura recorre a aqueles clichês irresistíveis do vilão genérico que quer destruir o mundo revelado aos quarenta e cinco do segundo tempo e de uma subtrama desnecessária envolvendo um casal e os demais Minions. O clímax não foge da previsibilidade, mas ainda reserva uma boa dose de diversão escapista.

Em uma perspectiva peculiar, Minions e Monstros é uma grande celebração da história de Hollywood. Com inteligência e bom humor, o filme passeia entre grandes clássicos em uma narrativa enérgica e divertida. Um respiro bem-vindo ao desgaste criativo que a franquia Meu Malvado Favorito encara nos últimos anos. Um banquete para os fãs de cinema e uma aventura descontraída e cativante para a criançada.