A animação Cara de um, Focinho do Outro aposta em humor, aventura e uma boa dose de ficção científica para contar a história de Mabel, uma jovem apaixonada por animais que utiliza uma tecnologia capaz de transferir sua consciência para o corpo de um castor robótico. A experiência a leva a descobrir um universo muito mais complexo do que imaginava e a desenvolver uma amizade improvável com o otimista Rei George.
Dirigido por Daniel Chong (Ursos sem Curso), o longa reúne um elenco de vozes liderado por Piper Curda, intérprete de Mabel, e Bobby Moynihan, que dá vida ao carismático Rei George. Em conversa com o Cine Set, os dois atores falaram sobre a construção de seus personagens, a identificação pessoal com a protagonista, o coração da história e a chegada da animação ao streaming, onde esperam conquistar uma nova geração de espectadores.
Cine Set – Mabel é a mesma, mas em duas versões: uma humana e a outra castora. Teve algo que você buscou mais diferenciar entre elas? Como foi fazer estas mudanças?
Piper Curda – Na verdade, eu não fiz nada de muito diferente para interpretar as duas versões da Mabel. Acho que isso até ajudou na construção da personagem, porque a Mabel não é uma castora, ela é uma humana. Mesmo quando está no corpo de uma castora, ela não sabe como um castor age. E, além disso, ela também não sabe ser outra pessoa além dela mesma. Então, para mim, fazia muito sentido mantê-la igual o tempo todo, porque essa é a essência da personagem.
Isso também funciona melhor em algumas cenas, principalmente nas interações entre a Mabel e o Rei George. Há momentos em que o George faz coisas tipicamente de um castor, enquanto a Mabel simplesmente não faz, justamente porque ela não sabe que esse é o comportamento esperado de um castor. Foi essa a lógica que guiou minha interpretação. E, para ser sincera, eu também não sou muito boa em fazer vozes diferentes. Acho que, se tivesse tentado mudar isso, o filme provavelmente teria ficado pior.
Cine Set – Disney e Pixar trazem um histórico enorme de reis de todos os tipos: imponentes, covardes, medrosos, corajosos. O que você buscou trazer de referências para King George e o que você nota de mais peculiar dele?
Bobby Moynihan – George é um rei que nem se dá conta de que é rei. Para ele, isso simplesmente não faz diferença. O que realmente importa é cuidar das pessoas e garantir que todos estejam bem. O fato de ocupar o trono acaba sendo quase um detalhe. Ele é rei, e está tudo certo com isso. No fim das contas, acho que essa é a essência do George: alguém que coloca o bem-estar dos outros acima do próprio título.
Cine Set – Mabel tem uma teimosia boa de nunca desistir mesmo contra todos os prognósticos. Lendo sobre sua trajetória, você várias vezes enfrentou situações que fariam outros desistirem de ser ator, mas, você seguiu em frente. Quanto da própria experiência te ajudou a entender mais a Mabel?
Piper Curda – Você tem razão, e essa foi uma observação muito perspicaz. Acho que isso vale para a maioria dos atores. Nossa profissão exige lidar com adversidade, rejeição e incerteza repetidas vezes. Se você não consegue enfrentar isso, talvez atuar realmente não seja o caminho. E está tudo bem, porque é uma carreira muito difícil. Foi justamente por isso que me conectei tão profundamente com a Mabel. O Daniel enxergava essa semelhança desde o começo, mas eu só percebi quando já estávamos totalmente envolvidos no projeto. Em determinado momento, pensei: “Meu Deus, essa personagem sou eu.”
Isso ficou muito claro no clímax emocional entre a Mabel e o George, quando ela desaba e se pergunta por que ninguém parece se importar. Eu estava interpretando aquela cena para transmitir toda a emoção na voz, mas, ao mesmo tempo, também estava chorando dentro do estúdio. Não era apenas atuação. Eu realmente sentia aquilo, porque já vivi emoções muito parecidas. Eram sentimentos extremamente reais para mim. Foi uma experiência muito especial. Nem sempre um ator cria uma conexão tão profunda com o personagem que interpreta — às vezes, nem quer criar. Mas, nesse caso, foi algo transformador. Em certo momento, senti que a Mabel e eu éramos praticamente a mesma pessoa.
Cine Set – Cara de um, Focinho do Outro teve uma ótima passagem pelos cinemas. Agora, chega ao streaming. Quais as expectativas para esta nova janela de exibição?
Bobby Moynihan – É muito bom saber que o filme agora está disponível em casa. Assim, as crianças podem assistir quando quiserem e aprender com o Daniel, com a Piper e, quem sabe, até um pouquinho comigo. É incrível. Ainda custa acreditar que isso aconteceu. Parece algo muito especial, e me sinto muito privilegiado por ver o filme chegando a tantas pessoas.














