Sem dúvidas, a consciente presença do envelhecimento é algo que ecoa demais em nossas mentes. Mais acentuado ainda se torna o pensar quando atingimos idades mais avançadas a qual isso permite reavaliar a passagem do tempo e nossas atitudes para com essa conjuntura. Portanto, entender esse processo é válido e natural no intuito de seguir a vida sem maiores sofrimentos ou aprisionamentos da alma. Sexa é um filme que se esforça a percorrer uma reflexão sobre questões de tempo, idade, etarismo e escolhas no ponto de vista de uma mulher em uma jornada de aceitação.
A produção nacional tem como destaque o domínio de Glória Pires, onde aqui, conduz seu primeiro trabalho como diretora, além de protagonizar a obra. A história de Sexa parte de Bárbara (Glória Pires) completando 60 anos e recusando a ser uma mulher sexagenária. Sempre acompanhada da bem-humorada amiga Cristina (Isabel Fillardis), Bárbara se sente repelida e assustada pela compreensão do avanço da idade. Está envelhecendo. Sua dinâmica ainda passa pela atenção que precisa dar ao filho adulto Rodrigo (Danilo Mesquita) por quem possui uma relação um pouco conturbada, além da descrença no amor após o fim do último relacionamento. Logo, ao conhecer Davi (Thiago Martins), um rapaz muito mais novo que ela por qual se apaixona, precisará escolher entre viver essa relação em meio aos dilemas de idade ou ceder às pressões e julgamentos sociais.
Dentre esses pontos, Sexa busca dialogar por uma temática até interessante, mas sem a consistência pretendida. Temos uma mulher em fase de transição de idade, repleta de dúvidas e cética da própria condução de sua vida mediante à incerteza do tempo. Tendo em vista o olhar feminino conferido, essa percepção recorrente se vale mais por um ângulo de mulheres maduras do que um contexto geral de etarismo, por exemplo.
Nesse prisma, a jornada de Bárbara nada mais é que uma tentativa fugaz da prisão do próprio espírito face às imposições da sociedade; aqueles apontamentos morais que soam anacrônicos mas tanto se perpetuam pelas relações estruturais existentes. Assim, quando a personagem principal se envolve com Davi e tanto receio salta ao mesmo tempo, muito é equivalente das reações cruéis dos outros – em que pese também as inseguranças criadas pela protagonista pela diferença de idade que entra nesse contexto.
A narrativa de Sexa molda uma estrutura bastante familiar, onde as dinâmicas presentes rodeiam apenas à figura da personagem de Pires, com um ou outro ponto destacado a acrescentar para o vivido por Martins. Caracterizando seu teor pelas marcas da idade, encontramos neste enredo, um tom bastante leve e humorado que permanece em quase a totalidade do filme e demonstra o interesse do roteiro em abraçar o gênero comédia. No entanto, o texto assinado por Guilherme Gonzalez, Bianca Lenti e a própria Glória Pires carece de foco e direcionamento ao buscar inserir elementos a mais com o propósito de aprofundar o universo de Bárbara, onde tal escolha mostra confusa e aborrecedora. Exemplo disso são as cenas de Bárbara com seu filho Danilo – rapaz cheio de preconceitos de idade e sem um pingo de respeito com sua mãe – que explicitam uma repetição de cenas esvaziadas e organizam um drama reducionista a nenhum momento surgir incorporado em Sexa (por mais que no papel pareça interessante).
Com essa desordem no papel, quando chegamos na direção de Glória Pires, se faz perceptível a direção protocolar que nada tenta elevar a produção apostando demais no possível potencial da história e no carisma (forte, por sinal) dos personagens. A diretora abusa de planos abertos nos mesmos cenários criando a sensação de similaridade entre as cenas, além disso, cabe citar o trabalho de montagem frágil do filme que derrapa e compromete bastante o ritmo de Sexa – como exemplo, um intercalar de uma cena romântica e leve com um drama familiar interminável em seguida. O ato final é uma sequência inacreditável de escolhas ruins de direção e da própria montagem que, ao tentar resumir os lugares onde se encontram as figuras da obra, implica em destinos inexplicáveis e imprecisos dos personagens.
Ademais, Sexa é uma produção com intenções justas, porém nulas quando postas em prática. De texto já meramente fraco, o filme sofre com sua própria caminhada ao não conseguir equilibrar focos narrativos, o que realmente é uma pena, visto a perspectiva promissora de seu argumento.














