Sejam bem-vindos, leitores, à nossa cobertura semanal da quinta e última temporada de The Boys, na qual vamos comentar os episódios finais semana após semana de acordo com o lançamento. A série, que foi um dos maiores sucessos da história do Prime Video, está se encerrando, e pelo tom dos dois primeiros episódios lançados, é bom mesmo que esteja chegando ao fim.
Você lembra quando a série começou, leitor? Foi no já longínquo 2019, quase uma outra vida. Vingadores: Ultimato estava levando multidões às salas, então era a hora perfeita para uma sátira insana do fenômeno dos super-heróis e como ele passou a dominar a cultura popular e o cinema. Em seu início, The Boys era inteligente, ácida e divertida pra caramba. Mas aí o tempo foi passando e uma coisa curiosa aconteceu: a sátira política da série passou a ser ultrapassada, quem diria, pela própria realidade, que se tornou mais bizarra que a ficção.
Quando vemos no primeiro episódio dessa temporada final, “Quarenta Centímetros de Pura Dinamite”, o Capitão Pátria (Anthony Starr) discursando para uma plateia e falando que está “fazendo a América segura”, e a audiência está usando bonés vermelhos que bem podiam ser os mesmos dos apoiadores de Donald Trump, fica claro que a paródia não consegue mais competir com a realidade. Essa cena não é inteligente ou mordaz, virou apenas mais um simulacro dos nossos tempos assustadores e deprimentes. E acima de tudo, o senso de diversão da série já diminuiu bastante. Não sei vocês, mas às vezes quero um escapismo; nem sempre quero ser lembrado de Trump e da extrema-direita quando escolho uma série ou filme para assistir após um dia cansativo.
Enfim, agora o Capitão Pátria controla de fato os Estados Unidos: o presidente é seu fantoche, campos de concentração para supers são instituídos, e tentativas de desmoralizar o suposto herói são recebidas como deepfakes pela mídia de direita. O movimento dos Luz-Estrelistas ganha força, enquanto Bill Bruto (Karl Urban) detém a chave para destruir de vez o Capitão Pátria, um vírus. Mas ele e seus aliados terão antes de libertar alguns integrantes do The Boys que estão presos num dos campos.
Alguns momentos isolados de “Quarenta Centímetros de Pura Dinamite” são realmente poderosos: Piadas com famosos como a cantora Chappel Roan e o cineasta Michael Bay – esta, bem sutil – realmente funcionam, e o arco do personagem Trem-Bala (Jessie T. Usher) recebe uma bela conclusão que remete à primeira cena do seriado, agora demonstrando o quanto ele evoluiu.
E falando em piadas, o humor de baixo calão da série está de volta, claro: termos chulos e piadas com orifícios continuam demonstrando que os roteiristas são fieis ao seu espírito de “quinta série”. É uma das características de The Boys desde o início e o seriado não haveria de mudar agora no final. Pena que a série cada vez mais se apoia nesse humor e nas situações grotescas para sustentar uma história que começa a parecer esticada além da conta.
Mesmo assim, é preciso mais uma vez elogiar a brilhante atuação de Anthony Starr. Por mais que a série tenha derrapado desde a quarta temporada, ele ainda continua dando vida a uma figura complexa que já merece ser considerada um dos grandes vilões da história da cultura pop. E para além de Starr, nestes episódios também brilham a impagável Susan Heyward como a Mana Sábia, e Colby Minifie como Ashley: ambas prometem bons momentos nesta temporada.
O segundo episódio, “Teenage Six”, mostra nosso grupo de malucos num plano para testar o vírus, usando como cobaia um ex-herói chamado Duraço, mais uma figura bizarra que a série cria, uma espécie de monstro de pedra que fala com voz eletrônica parecida com a de Stephen Hawking, e que permite ao roteiro encaixar mais umas piadas sexuais. Por sua vez, o Capitão Pátria descongela o seu pai, Soldier Boy (Jensen Ackles), para ajudá-lo a encontrar seus inimigos.
Outros novos desenvolvimentos são estranhos. A Kimiko (Karen Fukuhara), agora capaz de falar, perde um pouco do seu charme. Os efeitos de computação gráfica parecem muito pobres em alguns momentos, e o próprio texto inclui um comentário sobre finais de série – “são um trabalho impossível”, diz o roteirista aliado de Bruto que lamenta ter sido substituído por uma IA dentro da indústria do cinema – que parece óbvio e já uma espécie de preparação do produtor-executivo Eric Kripke caso seu desfecho não agrade. O final de Lost é mencionado…
Ainda assim, por mais que a série já não seja mais tão boa quanto costumava ser, ainda há qualidade suficiente para continuar assistindo e uma esperança de que The Boys acerte na sua reta final. Hughie (Jack Quaid) continua mantendo a esperança dentro do grupo: é a mesma esperança do espectador do lado de cá. Mesmo que a série se conclua abraçando o cinismo – e é até difícil que não o faça – que ao menos seja com qualidade e inteligência, além da irreverência.














