A premissa de “The Last of Us” é bastante simples: um mundo devastado por um apocalipse zumbi. A salvação pode estar em uma garota imune à infecção, protegida por um homem traumatizado. Agora que o protetor morreu, resta à moça buscar vingança contra o grupo assassino, especialmente Abby (Kaitlyn Dever). Resumir dessa forma não é um demérito, mas sim uma demonstração da virtude de extrair excelência do básico.
Este terceiro episódio da segunda temporada deixa clara essa qualidade da série da HBO ao evidenciar as dificuldades do roteirista Craig Mazin em tensionar qualquer coisa que fuja desse bé-á-bá. O capítulo inicia ainda no impacto brutal dos acontecimentos anteriores — a tentativa de invasão dos zumbis e a morte de Joel (Pedro Pascal). Surge a oportunidade de aprofundar os traumas de todos ali, especialmente de Ellie (Bella Ramsey), com seu grito de desespero ao recordar o momento final do amigo.
Mazin, entretanto, opta por diminuir a fervura e pula a história para três meses depois, com Ellie sendo avaliada pela terapeuta Gail Lynden (Catherine O’Hara) na tentativa de receber alta. É nítido perceber que algo não vai bem, mas pouco — para não dizer nada — de realmente revelador se nota ali. A chegada à casa, onde ela se emociona com o casaco de Joel, soa protocolar, ainda mais com aquela luz do sol atravessando o cômodo, deixando a cena mais como uma moldura estética do que algo genuinamente emocionante. Não demora muito para surgir a arma, a entrada de Dina (Isabela Merced) e, finalmente, partirmos para o que realmente interessa.
Todos sabemos que o foco desta segunda temporada de “The Last of Us” será a jornada de vingança de Ellie; portanto, sua saída daquela comunidade é mera formalidade. O pedágio para tanto escancara como Mazin está longe de oferecer qualquer densidade mínima àquele universo.
A discussão travada na reunião dos moradores da cidadezinha é de uma pobreza de argumentos chocante, com a série incapaz de provocar uma reflexão minimamente interessante sobre a diferenciação entre justiça e vingança. Chega-se ao ponto de um personagem argumentar sobre perdoar e ser perdoado, apenas para outro valentão, de forma ainda mais estúpida, defender a lei do mais forte. E é justamente ele quem decide apoiar a “brilhante” ideia de permitir que duas adolescentes saiam no meio do apocalipse para enfrentar um grupo de assassinos sádicos.
O diretor Peter Hoar contribui para a mediocridade sendo incapaz de dimensionar o tempo e a travessia de Ellie e Dina do Wyoming rumo a Seattle. Apesar de aspirar ao faroeste com planos abertos mostrando a natureza em toda a sua imensidão, a pressa se impõe e faz com que tudo transcorra em questão de minutos — quase uma viagem turística pelo interior, esquecendo qualquer ameaça zumbi. Para piorar, há uma timidez — para não dizer falta de coragem — em explorar a tensão sexual entre as duas após o beijo do primeiro episódio. E pensar que “O Segredo de Brokeback Mountain” completará 20 anos em 2025 mostra o quanto retrocedemos.
Quando nos damos conta, já estamos em Seattle, com o grupo paramilitar dos Lobos, tanques e militares por toda parte. Como fica cada vez mais claro, “Long, Long Time”, o excelente terceiro episódio da primeira temporada, foi uma exceção no que a série pode alcançar narrativamente. Sendo assim, resta esperar que “The Last of Us” volte à quinta marcha com suas cenas de ação e a trama de vingança — justamente o que a série tem de melhor.













