AVISO: texto contém SPOILERS
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“The Last of Us” viveu uma noite digna de “Game of Thrones” no segundo episódio do ano dois da série da HBO. Batalhas épicas na neve, seres assustadores destroçando tudo e todos, explosões gigantescas, viradas surpreendentes e a despedida de uma personagem para lá de querido.
Vamos tirar logo o elefante da sala e falar da morte de Joel (Pedro Pascal): o anti-herói do fim do mundo encontrou o destino final nas mãos de Abby (Kaitlyn Dever). Para aqueles que buscam uma cópia fiel ao game, frame a frame, aqui, na série, toda a tortura dura um pouco mais com um desabafo da agora vilã em vez da secura direta da vingança. Serve mais para dimensionar o perfil dos comparsas do que aprofundar Abby, fora que as gracinhas sobre a beleza de Joel parecem mais feitas para o ego de Pascal ou piada interna do que para outra coisa.
De qualquer maneira, por mais que se soubesse que este momento chegaria pelo impacto na cultura pop do game, ainda choca saber que não veremos mais Joel/Pascal em “The Last of Us”. Tal qual vimos com George R.R Martin em GOT, o universo criado por Neil Druckmann mostra que, apesar dos White Walkers ou zumbis, são os humanos aqueles responsáveis pelas maiores atrocidades.
Ellie sentiu isso no penúltimo episódio da temporada inicial e, agora, Joel acabou por pagar o peso de ter tantas mortes nas costas com juros e correção monetária. Por mais nobre que seja a causa, é uma missão que deixa rastro de dores e ressentimentos grandes demais para sair sem ferimentos. Fora que a composição visual muito bem trabalhada de maquiagem e penteado deixavam nítido como o fardo pesava demais no protagonista e Pascal brilhou como o ótimo ator que é. Sai enorme de “The Last of Us” passando o bastão para duas jovens e talentosas atrizes como Dever e Bella Ramsey.
A morte de Joel é tão gigante que deixa em segundo plano aquilo que tornaria qualquer série enorme. “Through the Valley” reserva momentos de tirar o fôlego com cenas de ação e batalha muito bem executadas. Aprendendo com os erros de “Game of Thrones”, Mark Mylod – diretor que passou por “Succession” e adivinha… isso mesmo, GOT – evita a escuridão, opta por planos mais abertos para dimensionar o tamanho do problema que aquela comunidade do Wyoming se meteu.
O episódio, então, emenda uma sequência mais aflitiva do que a outra desde a queda de Abby no meio dos lagos de zumbis congelados. Os bichinhos fofos nunca foram tão rápidos, imprevisíveis, mas, ao mesmo tempo, surpreende a maneira bem estruturada como a resistência se dá com tanques de gasolina explodindo entre os vilões. E ainda tem direito a um monstrão partindo para cima de Tommy (Gabriel Luna) em uma cena angustiante.
“The Last of Us” se apresenta para a segunda temporada com um episódio épico e que deixa o espectador sem norte para os próximos episódios. Igual fazia uma série fenômeno de público nos anos 2010.













