Caio Pimenta traz uma nova lista de candidatos ao Oscar 2026 com destaque para os sucessos de “Pecadores” e “A Vida de Chuck”.
AT THE SEA
Diretor de Pieces of a Woman, o húngaro Kornél Mundruczó segue no cinema americano. Desta vez, ele se junta a Amy Adams em At the Sea.
Na trama, a estrela azarada no Oscar interpreta uma mulher que vai morar em uma casa de praia para tentar se reconectar consigo mesma após um longo período de reabilitação, deixando o trabalho — razão da sua vida — de lado para se recuperar.
O elenco traz dois nomes queridos das séries de comédia: Rainn Wilson, o clássico Dwight de The Office, e Brett Goldstein, conhecido por Ted Lasso. Logo, há uma chance de Mundruczó ser um pouco mais leve do que foi no drama com Vanessa Kirby.
Tudo indica que o lançamento deve ocorrer no Festival de Veneza.
BELLY OF THE BEAST
No vídeo anterior, citei dois filmes com Colin Farrell. O homem, entretanto, não para: Belly of the Beast é mais uma produção do astro para a temporada de premiações.
Desta vez, Farrell trabalha ao lado do diretor Andrew Haigh, em alta após o elogiado Todos Nós Desconhecidos.
No novo filme, ele interpreta um presidiário que troca cartas com o escritor Norman Mailer, vivido por Ben Stiller. As correspondências se tornaram um livro e colaboraram para que o detento conseguisse avançar para a liberdade condicional. Fora da cadeia, apesar de ficar conhecido no circuito literário de Nova York, ele não se adapta bem à vida em sociedade. A situação, infelizmente, leva a uma tragédia.
História forte, baseada em um true crime, com dois atores em alta na indústria. A Lionsgate já adquiriu os direitos de Belly of the Beast. Pode chegar forte na temporada de premiações.
HONEY DON’T
Diretor de sucessos como Fargo e Onde os Fracos Não Têm Vez, Ethan Coen segue sem a companhia do irmão Joel em Honey Don’t.
A comédia policial é a segunda parte da trilogia iniciada com Garotas em Fuga, do ano passado. Margaret Qualley continua como protagonista, mas, desta vez, terá Aubrey Plaza e Chris Evans ao seu lado no elenco.
Qualley faz uma detetive particular responsável por investigar uma seita suspeita comandada pelo eterno Capitão América. No meio do caminho, ela conhece uma mulher misteriosa, vivida por Aubrey Plaza.
Segundo a imprensa americana, Honey Don’t se inspira em Cidade das Ilusões e O Perigoso Adeus, filmes dos anos 1970. O lançamento está previsto para o Festival de Cannes, fora de competição. A distribuição fica a cargo da Focus Features.
Para o Oscar 2026, não vejo tantas possibilidades, até pela baixa repercussão de Garotas em Fuga. Mas, como é um filme do Ethan Coen — sempre querido na Academia — pode ser que surpreenda.
ENTRE FACAS E SEGREDOS: WAKE UP DEAD MAN
Benoit Blanc deve dar as caras novamente na Netflix no fim do ano. Wake Up Dead Man será o terceiro filme da série Entre Facas e Segredos. Daniel Craig, claro, será o protagonista mais uma vez.
Chama atenção como o subtítulo do filme faz referência a uma música clássica do U2 — igual acontecia com Glass Onion, dos Beatles. As filmagens aconteceram em Londres no ano passado.
E, claro, Craig estará ao lado de um elenco repleto de estrelas: Josh O’Connor, Jeremy Renner, Mila Kunis, Andrew Scott, Josh Brolin, Cailee Spaeny e Glenn Close. Só de falar o nome da lenda, já tem gente dizendo que chegou a hora do Oscar premiá-la.
Sinceramente, porém, a não ser que seja uma interpretação completamente fora da curva, é muito improvável que Glenn Close chegue ao Oscar por aqui.
ANEMONE
Para quem sempre desconfiou que Daniel Day-Lewis realmente tinha se aposentado após Trama Fantasma, certamente está com a alma lavada. O três vezes vencedor do Oscar de Melhor Ator retorna em Anemone, filme dirigido por seu filho, Ronan Day-Lewis.
Anemone explora as complexas relações familiares entre pais, filhos e irmãos, mergulhando nas dinâmicas e nos laços que unem e desafiam essas conexões. A narrativa é descrita como uma investigação profunda sobre os vínculos familiares e suas intrincadas nuances.
Chama atenção que, além da atuação, Daniel Day-Lewis também assume o cargo de roteirista. Logo, há boas chances de vê-lo em uma nova categoria além da de ator. Vale ficar de olho, pois certamente estará no radar da Academia.
FATHER MOTHER SISTER BROTHER
Paterson, Amantes Eternos, Estranhos no Paraíso…
Jim Jarmusch é um daqueles diretores amados pela crítica e pela cinefilia mais cult. O Oscar, infelizmente, nunca deu a devida atenção aos seus filmes. Father, Mother, Sister, Brother é o mais recente longa dele e tenta desafiar a sina de eterno esnobado pela Academia.
Com Cate Blanchett e Adam Driver nos papéis principais, o filme traz três histórias sobre a complexidade das relações entre pais e filhos adultos. O segmento “Father” se passa no nordeste dos EUA; “Mother”, em Dublin, na Irlanda; e, por fim, “Sister Brother” é ambientado em Paris.
A expectativa era de que o lançamento ocorresse no Festival de Cannes, mas o evento francês não incluiu Jarmusch na seleção. Agora, resta esperar os festivais do segundo semestre. Saindo forte de Toronto, Telluride ou Nova York, há possibilidade de Father, Mother, Sister, Brother chegar ao Oscar.
DRÁCULA
Se Guillermo del Toro prepara a milésima versão de Frankenstein, por que Luc Besson não pode realizar o enésimo Drácula? O diretor de O Profissional e O Quinto Elemento promete uma abordagem romântica e gótica do clássico de Bram Stoker.
Caleb Landry Jones será o personagem-título, enquanto o elenco ainda traz Christoph Waltz, duas vezes vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. O orçamento está em 40 milhões de euros, sendo uma das produções mais caras do recente cinema europeu.
Pode chegar forte em categorias técnicas e na trilha sonora assinada por Danny Elfman. Além disso, será uma surpresa e tanto. Tudo depende da bilheteria e da recepção da crítica mundial.
A VIDA DE CHUCK
Carruagens de Fogo, Beleza Americana, Quem Quer Ser um Milionário?, O Discurso do Rei, 12 Anos de Escravidão, Green Book e Nomadland…
Antes de ganharem o Oscar de Melhor Filme, todas essas produções conquistaram o prêmio do público do Festival de Toronto. Em 2024, A Vida de Chuck recebeu a honraria, mas a Neon, com Anora nas mãos, resolveu segurar para esta temporada.
Com Tom Hiddleston vivendo o personagem-título, a história mistura drama com fantasia ao recontar a vida de um homem de trás para frente, após sua morte precoce aos 39 anos. A Vida de Chuck marca uma mudança no perfil de Mike Flanagan, diretor conhecido por seus trabalhos no terror como A Maldição da Residência Hill e Doutor Sono. Há quem compare o filme aos mais emotivos de Steven Spielberg.
O eterno Luke Skywalker, Mark Hamill, faz uma atuação extremamente elogiada pela crítica e pode ser um nome forte para Ator Coadjuvante. Já Hiddleston é candidato natural a Melhor Ator. O lançamento, previsto para o verão norte-americano, mostra a confiança de que pode ser um sucesso de bilheteria — o que alavancaria A Vida de Chuck como peso-pesado para o Oscar 2026.
MOTHER MARY
O último musical de Anne Hathaway nos cinemas foi Os Miseráveis, pelo qual venceu o Oscar de Atriz Coadjuvante em 2012.
Agora, a estrela novaiorquina retorna ao gênero com Mother Mary, em que interpreta uma popstar envolvida em uma complexa relação com uma renomada estilista, vivida por Michaela Coel, conhecida mundialmente pela série I May Destroy You.
Dirigido por David Lowery — de The Green Knight e A Ghost Story — o projeto será distribuído pela A24. Este aqui, sinceramente, não aposto muito.
PECADORES
Maior bilheteria de estreia para uma produção original desde o início da pandemia, elogios massivos da crítica mundial, retomada da prestigiada parceria entre Ryan Coogler e Michael B. Jordan… Pecadores é o primeiro grande filme do cinema comercial americano em 2025, graças a um diretor e roteirista dando um salto ambicioso e arriscado para mudar de patamar — além de contar com um elenco excelente.
Olhando para as apostas da Warner Bros., Pecadores pode se tornar, inclusive, o carro-chefe do estúdio. É verdade que esse posto, até o momento, está ocupado por Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson. A imprensa americana, porém, aponta que já há muitos temores na indústria de que o longa não consiga pagar o milionário investimento nas bilheterias e que nem é dos melhores do diretor.
F1 é um tiro no escuro mirando o Oscar: tem um elenco forte liderado por Brad Pitt e Javier Bardem, e um diretor vindo de um sucesso como Top Gun: Maverick. Por outro lado, aborda uma categoria que não é tão popular nos EUA e pode soar como uma grande propaganda do campeonato.
Logo, se ambos não forem tão bem-recebidos, Pecadores assume a dianteira na preferência da Warner. Ryan Coogler pode ser um candidato forte para indicações em Melhor Direção e Roteiro Original — nesta última, aliás, considero que está bem próximo de uma das cinco vagas. O elenco pode ser olhado com carinho — a Academia deve uma indicação, por exemplo, ao Delroy Lindo — e qualidades não faltam nas áreas técnicas: montagem, design de produção, figurino e trilha sonora seriam indicações inevitáveis. Fora Melhor Filme que, se ganhar tração, consegue sem maiores dificuldades.
Muita atenção a Pecadores.



















