Se formos pensar bem, o cinema é uma bobagem. Acompanhe-me: um filme é uma história inventada, que às vezes pode se parecer com o mundo real, mas às vezes não; estrelada por um monte de gente fingindo que são outras pessoas e trazida à vida por um bando de profissionais que podem ter ocupações malucas, como fazer carros capotarem ou criar roupas que ninguém nunca usaria na vida real. Fazer filmes é um delicioso absurdo. De vez em quando, eles se assemelham a números de circo, e se você parar para pensar, muitas vezes essas experiências maravilhosas que temos nas telas são fruto de muita loucura irracional.

Mas há bobagens e bobagens. Este Truque de Mestre: O 3º. Ato nem tenta disfarçar que é nada além de uma diversão leve, um filme para se ver comendo pipoca e não pensar em nada. É um passatempo com atores divertidos, amigos na vida real, e que vai te mostrar um monte de situações malucas acontecendo em locações bonitas pela Europa e pelo Oriente Médio. Só que essa bobagem divertida é tão leve que evapora da mente assim que os créditos aparecem, sem significar nada. Algumas bobagens hollywoodianas ficam com você para sempre, já essa aqui é só mais uma que desaparece junto com a pipoca consumida durante a história.

Neste terceiro capítulo da franquia, o grupo de mágicos conhecidos como Quatro Cavaleiros, especializados em enganar ricaços poderosos, acabam sendo reunidos, junto a três novos personagens, para realizar um novo ato de ilusionismo: um golpe contra uma inescrupulosa magnata sul-africana e a ação envolve o roubo de um valioso diamante. Claro que nem tudo sai como planejado e eles acabam tendo que improvisar durante a missão.

Ninguém vê a franquia Truque de Mestre – que aliás, estava parada há quase dez anos, depois do lançamento do segundo filme em 2016 – pela trama. As pessoas veem esses filmes pelas cenas, muitas vezes inverossímeis, de mágica, pelas reviravoltas de roteiro, e pelo elenco, que realmente parece se divertir muito quando estão juntos. Aqui estão de volta Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Isla Fisher (que ficou de fora do segundo filme), Dave Franco e Morgan Freeman; e os novatos que vivem o trio de jovens mágicos são Justice Smith, Ariana Greenblatt e Dominic Sessa. A vilã é feita pela Rosamund Pike e ainda há aparições surpresas que é melhor não revelar.

O set de Truque de Mestre: O 3º. Ato deve ter sido um lugar bem divertido, mas essa diversão passa para a tela? É injusto dizer que não: há bons momentos explorando a química entre os personagens e o novo diretor da franquia, Ruben Fleischer, de Zumbilândia (2009), comanda tudo com um tom leve que aproxima a experiência de um daqueles filmes antigos da Pantera Cor-de-Rosa, ou de um Onze Homens e um Segredo.

Porém, à medida que o filme avança, a experiência vai perdendo um pouco de gás, quando se percebe que o roteiro está empilhando um evento arbitrário em cima do outro, e se nota que os heróis nunca estão em perigo, em momento algum da trama. O final é aquela coisa tirada da cartola, uma daquelas reviravoltas que quer parecer inteligente, mas só acaba mesmo sendo cafona, assim como a cena de abertura com a apresentação dos Quatro Cavaleiros.

E claro, temos a obrigatória cena sugerindo o futuro da franquia, e nesse caso o estúdio Lionsgate demonstra esperteza ao introduzir personagens novos e jovens neste aqui, caso o elenco antigo comece a cobrar muito dinheiro para aparecer nos próximos capítulos. Isso é que é truque de mágica…

No fim das contas, Truque de Mestre: O 3º. Ato é divertido ou não? Talvez dependa do que o espectador espera dele: há bons momentos, outros tantos cafonas, e é um filme que busca ser relevante para a Geração Z e também para o público um pouquinho mais velho que viu os anteriores no cinema. E a experiência toda não resiste a um escrutínio mental e acaba sendo inofensiva. Se é isso que o espectador deseja de um programa de sábado à noite, tudo bem, e pode-se dizer o mesmo de outros filmes – alguns até muito bons – que o cinema nos entregou.

Só que, para um filme sobre mágicos, faz falta um pouco mais de mágica, aquela que o cinema – do tipo pipoca, mais especificamente – de vez em quando consegue proporcionar. Falta um algo a mais para transformá-lo numa bobagem memorável.