Caio Pimenta apresenta as estratégias dos principais estúdios para a temporada de premiações mirando o Oscar 2026.

UNIVERSAL PICTURES, MUBI E SONY PICTURES CLASSICS

A Universal Pictures chega para a temporada de premiações com um candidato único.  

“Wicked – Parte 2” terá domínio absoluto no estúdio. A campanha mira garantir a indicação a Melhor Filme, fortalecer Ariana Grande e Cynthia Erivo para as categorias de atuação e ainda sonhar com a improvável presença do Jon M. Chu em Direção. A Universal pretende se fortalecer com as categorias técnicas, especialmente, design de produção, figurino e efeitos visuais, além de Canção Original. 

Depois de fazer milagre com “A Substância” neste ano, a MUBI chega tímida para o Oscar 2026. Ganhador do Leão de Ouro no Festival de Veneza, “Father Mother Sister Brother” definitivamente não vingou. A inegibilidade de “La Grazia” frustrou a possibilidade do estúdio chegar em Filme Internacional. O ativo principal virou “Morra, Amor”, mas, apenas para tentar a vaga da Jennifer Lawrence em Melhor Atriz. Ainda assim, a indicação da estrela soa bastante improvável nesta altura do campeonato. 

Já a Sony Pictures Classics quer voltar a fazer milagre na Academia após a campanha arrasadora de “Ainda Estou Aqui”. A grande aposta é “Blue Moon”. O estúdio deve jogar as fichas no Ethan Hawke em Melhor Ator e Andrew Scott em coadjuvante para puxar o longa do Richard Linklater para a categoria máxima. Será difícil, mas, a produção pode ser a surpresa da lista final, especialmente, se a Academia quiser diversificar os estúdios indicados a Melhor Filme em vez de ficar concentrado na Neon ou Netflix.  

“Nuremberg”, por outro lado, no máximo, consegue algo nas áreas técnicas como maquiagem e penteado ou figurino. A tendência, porém, é que fique sem nada. 

20th Century Studios, Searchlight Pictures, A24, FOCUS FEATURES

A 20th Century Studios carrega a decepção de “Springsteen”: a cinebiografia do The Boss não convenceu ninguém – crítica e público deixaram o drama do Scott Cooper a ver navios. Nem mesmo o Jeremy Allen White, considerado nome certo até tempos atrás, deve vingar.  

Restou ao estúdio, mais uma vez, apostar em “Avatar”. “Fogo e Cinzas” traz a tradição e a força do cinema de espetáculo de James Cameron. Se a bilheteria corresponder como esperado e manter as indicações previstas nas áreas técnicas, pode se juntar a “Wicked – Parte 2” como os blockbusters da temporada em Melhor Filme. 

Ganhadora de cinco Oscars desde 2009, a Searchlight Pictures não chegará à sexta estatueta de Melhor Filme no ano que vem. “Família de Aluguel” virou uma das decepções da temporada, ficando pelo meio do caminho. “The Testament of Ann Lee”, no máximo, pode render a indicação da Amanda Seyfried em Melhor Atriz. A maior esperança de estar, pelo menos, entre os finalistas é com “Is This Thing On?”. 

O drama traz a assinatura do Bradley Cooper, nome extremamente querido dentro da Academia, com um elenco competente liderado pelos talentosos Will Arnett e Laura Dern, a temática universal de um casal em processo de separação e um aceno à classe artística, no caso, a cena stand-up de Nova York.   

Certamente a Searchlight fará de tudo para fortalecer “Is This Thing On?”. O problema é como: para chegar a Melhor Filme, precisa ser indicado em outras categorias, mas, não vejo onde. Arnett não deve ser lembrado em Melhor Ator assim como a Laura Dern em Atriz. Resta Melhor Roteiro Original, talvez a única presença possível na festa da Academia. Daí, seria possível repetir o que houve com “Nickel Boys”. 

Temporada esquisita enfrentada pela A24: o estúdio queridinho da cinefilia imaginava que “Coração de Lutador” iria longe com a dupla Dwayne Johnson e Emily Blunt. Após bom desempenho em Veneza, porém, o drama do Benny Safdie virou um grande flop com críticas mistas da imprensa norte-americana e um fracasso de bilheteria gigantesco. Virou carta fora do baralho.  

“Sorry, Baby” é a terceira força neste momento da A24. A esperança é a Eva Victor conseguir uma indicação surpresa em Roteiro Original. Mais do que isso, é sonhar demais. Ainda olhando para vagas específicas, o estúdio mira na Rose Byrne em Melhor Atriz com “Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria”. Seria uma vitória imensa ela ficar entre as finalistas. 

“Marty Supreme” é, de longe, a grande aposta do estúdio na temporada. Se não cogita repetir os feitos de “Moonlight” e “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” quando venceu Melhor Filme, a A24 deve correr atrás do bicampeonato em Melhor Ator com o Timothée Chalamet. E as chances são muito altas de conseguir o Oscar da categoria. 

A Focus Features investe grande parte das fichas em “Hamnet”. O drama da Chloé Zhao chega com possibilidades reais de vitória em Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado e, acima de tudo, Atriz com a Jessie Buckley. Para se fortalecer, será importante vencer o Globo de Ouro de Filme de Drama, visto que o principal rival dele na temporada, “Uma Batalha Após a Outra”, estará em Comédia/Musical.   

Um bom resultado no dia 11 de janeiro favorece para criar a polarização esperada para a temporada em vez de deixar o Paul Thomas Anderson reinar sozinho. “Hamnet” tanto é visto como um grande candidato que já passou a sofrer campanha contrário com críticas de que seria uma pornografia da dor pelo excesso de sofrimento.  

“Bugonia” é outro candidato pesado do estúdio. Para emplacar Melhor Filme, a Focus Features sabe que será essencial ter, pelo menos, o roteiro entre os finalistas de adaptados. O desafio não parece ser tão difícil até pelo prestígio do Will Tracy. Emma Stone em Melhor Atriz e Jesse Plemons em Melhor Ator são possibilidades reais que colocariam a comédia mais garantida na categoria máxima.   

Se “Anemone” nem com o prestígio do Daniel Day-Lewis fez o longa sair do lugar, “Song Sung Blue” luta para se firmar na temporada. Ter praticamente pulado o circuito de festivais atrapalhou para formar hype em torno do projeto. A Focus Features deve mirar mais na Kate Hudson em Melhor Atriz para não ficar no zero. 

NETFLIX, WARNER, NEON

Vamos então para os estúdios mais fortes da temporada começando com a Netflix: o streaming está repleto de opções para o Oscar 2026 nas mais diversas categorias. 

“A Vizinha Perfeita” chega como grande favorita para vencer Melhor Documentário, enquanto “Guerreiras do K-Pop” aparece na mesma posição em Melhor Animação e ainda sonhando com uma estatueta de Canção Original. “Vivo ou Morto”, terceiro filme da série “Entre Facas e Segredos”, mira uma nova indicação em Roteiro Adaptado e beliscar algo entre os coadjuvantes, especialmente, com Glenn Close e Josh O´Connor. A expectativa é que ganhe força com o lançamento neste fim de ano. 

 “Casa de Dinamite” não vingou e parece cada vez mais distante das categorias principais. No máximo, a possibilidade é sonhar com Melhor Montagem. Se “Frankenstein” se aproxima de uma vaga certa da Netflix em Melhor Filme até pela força que a fantasia do Guillermo del Toro deve ter nas áreas técnicas, o duelo esquenta pela segunda preferência do estúdio. 

“Jay Kelly” joga com a força do trio Noah Baumbach, George Clooney e Adam Sandler. Seria uma aposta no tradicional das grandes estrelas a partir de um tema ligado ao meio artístico, sempre muito caro à Academia. “Train Dreams”, entretanto, é um queridinho da crítica, com uma carinha de independente e de uma dupla em alta no cinema americano, Clint Bentley e Greg Kwedar, os mesmos de “Sing Sing”.  

Claro que a Netflix pode emplacar três candidatos em Melhor Filme, mas, neste momento, coloco minhas fichas mais em “Train Dreams” chegando entre os finalistas do que “Jay Kelly”. Muito disso se deve à consistência da produção estrelada pelo Joel Edgerton contra a irregularidade da produção com o George Clooney. 

A Warner chega forte para a temporada de premiações com o grande favorito do Oscar 2026: “Uma Batalha Após a Outra” deve liderar as indicações para a festa e chances reais de vitórias em Filme, Direção e Roteiro Adaptado com o Paul Thomas Anderson, Atriz Coadjuvante e Direção de Casting. Deve estar presente também em Ator com Leonardo DiCaprio e mira duas vagas em Ator Coadjuvante. 

Toda esta força de “Uma Batalha Após a Outra” atrapalha “Pecadores”: para além de ser um filme de terror sobre vampiros, gênero com resistência histórica na Academia, a produção teve o hype maior lá no início do ano quando foi lançada. Disputar o mesmo espaço nas categorias principais com o longa do Paul Thomas Anderson, diretor com a narrativa do momento, em nada ajuda pensando em chances de vitória.  

Neste jogo de um filme atrapalhar o outro na Warner, “A Hora do Mal” passa o mesmo em relação a “Pecadores”. Afinal, o longa do Ryan Coogler representa o terror na temporada, logo, a Academia pode não ver necessidade de indicar mais uma obra do gênero. Por isso, as chances do Zach Cregger chegar em Melhor Filme são quase nulas. A maior esperança certamente fica com Amy Madigan em Atriz Coadjuvante. 

Por fim, temos a Neon e seu acervo impressionante de filmes internacionais à disposição. 

Ganhador do Oscar com “Parasita” e “Anora”, o estúdio coloca “Valor Sentimental” na dianteira nesta temporada. E não é para menos: um elenco conhecido do mercado mundial, um diretor dando um salto em uma das grandes carreiras do cinema europeu na atualidade e uma história sobre o poder da arte em compreender os traumas de uma família. É a produção internacional com mais possibilidade de vencer a categoria máxima. 

 A segunda prioridade tende a ser “Foi Apenas um Acidente”. Aqui pesa, além do filme, a Palma de Ouro, a história política do Jafar Panahi, a influência francesa na Academia e a mensagem política.  

Daí, vem uma disputa pesada entre “No Other Choice” e “O Agente Secreto”. O candidato da Coreia do Sul traz uma história universal sobre o medo do desemprego que conquistou Toronto a ponto de vencer Melhor Filme Internacional junto ao público. Há também o apelo para a Academia finalmente reconhecer o talento de Park Chan-Wook, esnobado tantas vezes no Oscar.   

Já o filme do Kleber Mendonça Filho joga com o apelo dos fãs brasileiros nas redes sociais, contribuindo para a visibilidade da produção. Ainda há Wagner Moura forte em Melhor Ator, o que tornaria a produção obrigatória na temporada caso ele fique entre os finalistas.  

A Neon irá usar a argumentação de que esta é a temporada dos filmes internacionais em que a Academia precisa abrir um espaço único para obras vindas de língua não-inglesa. Com isso, o estúdio poderia jogar as fichas em até três finalistas de Melhor Filme – considero impossível mais do que isso. Se ocorrer, “O Agente Secreto” tem grandes chances; caso fique em dois mesmos, “Valor Sentimental” e “Foi Apenas um Acidente” devem ficar com as vagas.