“Um Minuto É Uma Eternidade para Quem Está Sofrendo” é o filme perfeito para a geração que posta stories chorando. A diferença é que o protagonista e codiretor Wesley Pereira de Castro é inteligente o suficiente para saber que há algo de patético nesse gesto — o que não o impede de repeti-lo várias vezes.
Se há autoconsciência, não é de forma cínica. Os vídeos de Wesley, gravados em seu celular para fins que vão de uma apresentação para entrevista de emprego a sextapes solitárias, revelam uma felicidade em performar e em se filmar. Uma felicidade que, paradoxalmente, aparece até nos momentos de ideações suicidas do realizador.
Dessa forma, o documentário é tecido a partir de fragmentos de seus registros pessoais, como se fosse um filme-diário de Jonas Mekas — se o lendário realizador lituano fosse um tiktoker. E o que as migalhas digitais de Wesley nos revelam (impossível não chamá-lo pelo primeiro nome depois desses 61 minutos)? Que ele é um acadêmico de 40 anos vivendo com a mãe, que os dois são quase miseráveis, que Wesley pensa em se matar (e faz questão de desenhar carinhas tristes no seu diário e, mais importante, filmá-las) e que tem uma certa obsessão em filmar o próprio pênis. É provável que, a essa altura, eu conheça seu membro em maiores detalhes do que conheço o meu.
Que o filme não se afogue na autocomiseração é um milagre, um que se deve provavelmente ao fato de que Wesley é um sujeito engraçado. Há graça, por exemplo, nos cortes abruptos entre uma vinheta e outra, criando sobreposições tonais e justaposições semânticas. Mas há também em coisas mais simples, como quando Wesley filma o próprio ânus se dilatando e contraindo enquanto canta sobre uma buceta que pisca. São momentos que lembram um John Waters saturado pela proximidade radical e pelo paradoxal isolamento do mundo conectado.
O filme funciona, portanto, porque o sergipano Wesley é fascinante e engraçado, mas também porque entende como dar forma a uma certa angústia decorrente das tensões internéticas. Daí o aspecto aleatório das vinhetas e o diálogo com o nonsense do YouTube poop, pautado aqui por experiências muito específicas de um corpo muito específico.
Fora que o filme já é forte concorrente ao prêmio de melhores cinco minutos finais de um filme brasileiro em 2025.












