É impossível ouvir Rodrigo Aragão falar e não ser cativado pelo seu entusiasmo. O realizador e mestre dos efeitos práticos é alguém que claramente ama o horror e faz questão de pregar sua palavra diabólica para quem quiser ouvir, com meiguice e simpatia.

Sendo assim, é claro que Aragão filma como um garoto entusiasmado, como se não acreditasse que tem todos aqueles brinquedos à sua disposição. Esse é seu grande trunfo e seu maior revés, porque cada tomada que concebe parece apontar para algo já feito na história do gênero.

Mas, mesmo com todas as luzes coloridas e tons saturados, não parece que Aragão tenha a ambição de se tornar o Dario Argento de Guarapari. Seu lance é fazer esses pastiches felizes, e que Deus ou o diabo o abençoe por isso.

O fato de Aragão não ser um cineasta cínico torna sua eventual breguice algo afetuoso. O look de Prédio Vazio é berrante e não necessariamente bonito (o que não significa que algumas composições envolvendo efeitos visuais não saltem aos olhos). Seus personagens se comunicam a partir de chavões, e sua protagonista, Luna, é a típica heroína pirigótica de filmes do gênero — estivéssemos em Hollywood, e ela provavelmente seria interpretada por Jenna Ortega.

Mas o melhor do filme acaba sendo não os elevadores fantasmagóricos ou espíritos malignos que assombram o Edifício Magdalena, uma torre decrépita na orla paradisíaca de Guarapari, ES, onde a mãe de Luna desapareceu no pós-carnaval. Não, o melhor é justamente a especificidade do seu retrato desse destino litorâneo: a feiura da rodoviária, o papo chato do taxista… Essas interações iniciais dos personagens com o entorno rendem alguns dos melhores momentos do longa.

Nesse sentido, Caio Macedo acaba se destacando como o namorado bobalhão da protagonista. Ela, no entanto, se mostra uma heroína um tanto quanto histérica e afobada antes mesmo da vaca ir para o brejo. Fica ainda mais complicado aturar sua chatice quando o filme desacelera na segunda metade, dando espaço para uma série de exposições desnecessárias. Esses problemas de ritmo assolam Aragão desde Mangue Negro.

Também era de se esperar um pouco mais de joie de vivre quando a carnificina finalmente entra em cena. Aragão tem plenas capacidades de fazer algo verdadeiramente infernal caso se concentre ainda mais na brutalidade, mas está claro que seu horror é mais fabular do que gore per se.

Apesar dos pesares, é bom ter alguém comprometido com a gritaria e a sanguinolência no cinema brasileiro (nesse sentido, seu parceiro de crime talvez seja Dennison Ramalho, mais do que Juliana Rojas ou Marco Dutra). É mais do que motivo para que Aragão ocupe um lugar cativo na nossa filmografia.