Muito já visto no cinema, há inúmeras crônicas da mulher enquanto objeto da cidade. Relatos que exibem a sinergia de uma personagem com o entorno urbano decadente, seu mundo, seu âmago, sua parte. Vulgo Jenny ilustra uma Goiânia marginal, onde Jenny e suas figuras são peças radicadas desse cenário.

A obra de estreia de Viviane Goulart segue uma mulher conhecida como Jenny (Juliana Salle), ambulante nas ruas e lugares de Goiânia, espirituosa e cheia de energia, sobrevive um dia de cada com o apoio dos parceiros Rato (Allan Jacinto Santana) e Primo (Fred Praxedes).

Nesses acenos, reina em Vulgo Jenny as possibilidades existentes de rastrear aquele (sub)mundo mediante os olhos de uma protagonista errante. Seja vendendo bananas no sinal ou vagando por bares insalubres, o filme tenta colocar Jenny como produto daquele ambiente, sendo as figuras dos seus dois companheiros, fragmentos de uma dinâmica de criminalidade desse terreno.

Quando finalmente o filme estabelece organicamente seus personagens, sofre um desequilíbrio de tom ao buscar por uma direção documental no que deixa refreada a sua base ficcional até ali construída. Escolhas de planos-sequências também se mostram excessivas ao impactar o ritmo do filme goiano.

Dessa maneira, Vulgo Jenny é uma obra bem intencionada de seus criadores e reluz uma parte do centro de Goiânia, no entanto, vira refém da própria narrativa que não consegue sustentar.