Em certa cena, no início de A Grande Viagem da sua Vida, o personagem de Colin Farrell parece incomodado pela demora no percurso de carro que será feito até seu destino, muito pela maneira como está sendo guiado. Por ironia, tal cena remete justamente à jornada da qual o filme nos fará passar. E justamente essa compreensão é só a pontinha da frustração iminente.
Diante da proposta, temos aqui um drama, mas com assinatura forte típica de romance, ao estabelecer dois sujeitos aparentemente solitários em uma jornada de pertencimento. A obra obedece a cartilha romântica, formula uma conexão entre os protagonistas David (Colin Farell) e Sarah (Margot Robbie), em que o cruzamento de ambos busca desenhar uma ligação intensa desde o início, e a seguir dali eventos os aproximarão mais ainda até seguirem em viagem juntos.
Não há dúvidas das tentativas feitas pelo diretor sul-coreano Kogonada – aqui em seu terceiro projeto – de desejar criar uma aproximação ligeira do público para com a narrativa, ora na forma de aproveitar os talentos dos atores principais, ora na medida de aplicar cenas comoventes – que soam bastante apelativas pela condução previsível. O cineasta conhecido por filmes mais contidos, neste, ousa oferecer uma obra mais ambiciosa no sentido visual, ao mesmo tempo em que não abandona as suas marcas características de um cinema mais contemplativo.
Para além desses aspectos, acerca do casal protagonista, é justo classificar como inexistente a química entre os atores, quando, por algumas cenas, chegam a beirar ao constrangimento, ficando clara a falta de coordenação da direção, bem como uma má escalação de elenco. Não que o filme desande tão somente pelo fraco casal, há mais equívocos que acertos, mas, A Grande Viagem da Sua Vida posiciona Farell e Robbie como salvadores de uma história tediosa e o andamento do longa só satura mais as imagens dos dois frente a um filme cansativo.
Nesse lugar, a obra segue por um rumo esperado de drama e romance como forma de união dos protagonistas, e, ao decidir usar o sentido de “viagem” como jornada de autoavaliação, o filme derrapa ainda mais em não equilibrar os tons e a devida falta de sintonia da dupla principal.












