Depois de comover o planeta inteiro como Rubens Paiva em Ainda Estou Aqui, Selton Mello está de volta aos cinemas. Quem pensava, porém, que seria uma obra tão séria quanto o ganhador do Oscar de Melhor Filme Internacional, se enganou redondamente. O ator brasileiro integra a nova versão de Anaconda ao lado de nomes conhecidos de Hollywood como Jack Black, Paul Rudd, Steve Zahn e Thandiwe Newton.
No novo Anaconda, interpreta Carlos Santiago, um brasileiro especializado em domar animais perigosos, incluindo, uma serpente gigante. A nova versão brinca mais com o humor ao trazer um grupo tentando regravar o filme dos anos 1990 sem muito orçamento.
O Cine Set teve a oportunidade de conversar com Selton e o diretor Tom Gormican sobre a nova versão do filme. Confira abaixo:
Cine Set – Por que você decidiu adotar uma abordagem mais cômica nesta nova versão de Anaconda? De onde veio essa escolha criativa?
Tom Gormican – Assim como você, eu também tenho um tipo de amor intenso pelo Anaconda original, e aquele é o trabalho de outro roteirista e de outro diretor. Por isso, eu não queria simplesmente pegar um conceito e fazer um reboot. Acho que eu estou tão cansado quanto o resto do público de cinema de remakes, reboots e esse tipo de coisa.
Decidimos fazer um filme que fosse inspirado no original, na ideia do filme, e fazer com que os nossos personagens também fossem inspirados por essa ideia. Nesta nova versão, eles vão tentar refazer uma versão de baixíssimo orçamento do filme dos anos 1990 e acabam entrando, de fato, na trama de Anaconda, quando a cobra mítica se revela real. Isso, para gente, já é uma ideia que nasce engraçada. É uma comédia sob pressão, uma comédia em situação extrema.
Cine Set – Selton, o que mais te atraiu neste personagem para participar de Anaconda?
Selton Mello – Realmente gosto de tudo neste projeto. Eu meio que me apaixonei por esse personagem por ser um dos mais interessantes que eu já fiz. É aquele tipo de sujeito com o qual eu sempre me sinto conectado: excêntrico, muito carismático e engraçado. E você nunca sabe exatamente o que esperar dele.
Mas tem uma coisa em especial que eu adoro nesse personagem: desde o começo ele claramente não gosta do personagem do Griff, vivido pelo Paul Rudd. E eu amo essa tensão porque ela se mantém por uma boa parte do filme. Essa dinâmica com o Paul foi incrível de fazer. Foi muito engraçado, né?
Tom Gormican – Muito engraçado mesmo. O Paul Rudd é provavelmente o ser humano mais simpático do mundo. E, ainda assim, o personagem dele e do Selton simplesmente não se dão bem desde o início.
É uma ideia muito engraçada: ele simplesmente decide que não gosta dele. E isso cria uma tensão cômica hilariante que atravessa o filme inteiro.
Cine Set – Em O Peso do Talento, você brinca bastante com temas e recursos metalinguísticos no roteiro e na narrativa. Dá para perceber algo parecido nesta nova versão de Anaconda. Como essa abordagem foi integrada ao roteiro e ao filme?
Tom Gormican – Quando você está escrevendo um filme sobre um homem de meia-idade em crise, que quer fazer filmes, você acaba escrevendo sobre aquilo que conhece. Isso, por si só, já é uma ideia engraçada.
Sempre existem desafios no processo de fazer um filme. Alguns parecem quase intransponíveis. Outros parecem verdadeiros monstros. Então, pegar essa ideia e colocar um monstro real dentro do filme, fazê-lo literalmente ganhar vida, nos pareceu algo inerentemente engraçado — e também uma forma original e divertida de abordar essa cultura dos reboots.
Cine Set – Selton, você acha que os brasileiros vão gostar desta nova versão de Anaconda?
Selton Mello – Os brasileiros vão amar esse filme, simplesmente. É muito divertido. É uma grande aventura, muito engraçada, cheio de ação, tensão, perigo e muito bem realizado.
É um mix, é um combo maravilhoso. E ainda mais, ainda por cima, no meio disso tudo, tem coração. Porque é um filme sobre amigos, no final das contas. Sobre amigos realizando um sonho de fazer um filme. Combina muito com o Natal. Essa pegada de você assistir um filme que comove e, ao mesmo tempo, o medo. As pessoas vão amar.
E a dica é a seguinte: tem que assistir até o final. Os créditos finais são cheios de surpresas. Tem novidade no meio dos créditos, depois dos créditos. Tem que ficar até o final que as pessoas vão curtir demais.
Por fim, quero aproveitar para mandar um abração para o pessoal de Manaus.













