“Os Caças-Fantasmas”, “Beetlejuice”, “Poltergeist”, “Os Outros”, “Atividade Paranormal”… Filmes sobre fantasmas e espíritos são dos mais tradicionais no terror. Na Amazônia, estes acontecimentos sobrenaturais são conhecidos por um termo próprio: as visagens. Agora, elas serão tema de um novo filme amazonense.
Dirigido por Adson Colares, “Eu Vi uma Visagem” será um curta-metragem de até 15 minutos de duração trazendo o relato de cinco pessoas que tiveram experiências sobrenaturais na região rural e urbana de Novo Airão, município distante 115 km de Manaus. Gravado no primeiro semestre deste ano, o filme apresenta entrevistas mescladas com recriações destes momentos.
“A ideia é mostrar como as visagens são encaradas pelas pessoas. Há os mais religiosos que não acreditam e dizem se tratar de coisas demoníacas, outros creem que são seres protetores da floresta e ainda tem aqueles que acham que são seres vagantes que não conseguiram desencarnar”, disse o diretor estreante no cinema local.
O CAJUEIRO E A VISAGEM
Nascido na zona rural de Novo Airão, Adson conhece histórias de visagens desde a infância. “Sempre contavam este tipo de história para dormirmos com medo”, relembra com nostalgia. Não à toa alguns dos entrevistados são da própria família do diretor. Mas, ele mesmo já viveu uma experiência sobrenatural dentro de casa.
“Morava com a minha avó quando era pequeno e a casa dela tinha um corredor imenso com uma porta no fundo que varava para o quintal. Atrás do quintal, perto dali, tinha um cajueiro. Uma vez bateu o vento e a porta fechou. Quando fui reabrir, do nada, uma senhora estava sentada em cima de um tronco embaixo do cajueiro. Fiquei como se a minha alma tivesse saído do corpo e sai correndo”, disse rindo de nervoso.
INSPIRAÇÃO NO STREAMING
Sucesso na Netflix, “Mistérios sem Solução” é a principal referência para o curta. A série com o quarto volume previsto para estrear em 31 de julho mostra casos reais de desaparecimentos, assassinatos chocantes e encontros paranormais. Sempre na mescla de entrevistas com os personagens reais e simulações para ilustrar as situações, lembrando também o brasileiro “Linha Direta”.
“No curta, o meu tio, por exemplo, está fazendo a farinha dele enquanto conta que estava na roça indo caçar com uma espingarda e o terça até que avista um ser pequeno que não consegue identificar. Ele ficou agoniado no momento e lembro disso até hoje. Fizemos uma entrevista com ele e, depois, a encenação do momento”, recordou Adson.
Para tanto, “Eu Vi uma Visagem” conta com uma equipe bastante talentosa do cinema amazonense, entre eles, Robert Coelho na direção de fotografia, Naila Fernandes no som direto, Heverson Batista na mixagem de som e Bárbara Umbra na montagem, além de Otiniel Moris, responsável pelas encenações das visagens.
AUDIOVISUAL EM NOVO AIRÃO
Estudante de Comunicação Institucional e de Tecnologia em Filmmaker, Adson Colares estreou no audiovisual como figurante em 2021 nas gravações de “Airão – Ancestrais da Amazônia”. Depois, migrou para a assistente de produção, produtor e, agora, se lança como diretor. “Foi uma experiência boa. É bastante trabalho e responsabilidade, mas, muito prazeroso ver tudo acontecer”, disse sobre os bastidores de “Eu Vi uma Visagem”, projeto contemplado pela Lei Paulo Gustavo a partir de um edital do Governo do Amazonas.
Nascido em Novo Airão, o novo diretor sonha com uma cena audiovisual mais consolidada no município do interior do Amazonas. Atualmente, ele conta com uma MEI chamada Muiraquitã Produções, criada em 2022 com o intuito de se tornar uma referência do setor na cidade. “As grandes produtoras vêm de fora para cá com sua equipe formada. Vão embora e não deixam nem o ensinamento. Ao fazer “Eu Vi uma Visagem”, pensamos diferente: tivemos treinamento para a equipe local em que o Robert Coelho e Naila Fernandes ensinaram sobre os equipamentos e a forma de trabalhar com eles”, completou.
“Eu Vi uma Visagem” deve ficar pronto até o fim deste ano.














