O Centro de Manaus é um lugar místico. É o ponto de início da cidade, um local de partida, encontros e reencontros. Nele se localizam os principais prédios históricos da cidade como o Teatro Amazonas e o Palácio Rio Negro. O Centro, também, foi responsável por inspirar o realizador audiovisual César Nogueira a produzir “Robert”, um documentário sobre os passeios do fotógrafo Robert Coelho pelos bares da região.

A Saída Fotográfica que se Torna Filme

A ideia para o documentário surgiu de um passeio fotográfico. Enquanto fotografavam o Centro e discutiam as mudanças que a área tem passado, César decidiu filmar suas interações com Coelho. “Foi algo sem grandes pretensões, que se revelou o inicio de um projeto audiovisual e uma obra fechada em si. O conceito da produção é mostrar um fotógrafo falando e vivendo o Centro de Manaus”, comentou. As gravações de “Robert” aconteceram nas primeiras semanas de 2018, ao redor da Praça da Saudade.

Os dois fotógrafos se conhecem desde 2016, quando participaram da produção de “Mormaço Sonoro”, da artista Keyla Serruya. E, desde então, desenvolveram uma amizade que tem como pontos em comum o apreço por fotografia, Manaus e os bares do centro da cidade. Esta proximidade estimulou César a perceber o diálogo que Robert Coelho estabelece com a Manaus Contemporânea. “O Robert tem muitas opiniões interessantes sobre a vida, o universo e tudo o mais. Ele entende muito bem que o Centro é muito mais que seus prédios históricos”, contou.

A parceria também tem sido essencial no processo de produção do documentário. Conforme os cortes são realizados, os dois fotógrafos discutem “o que ainda falta, a potência de suas imagens e o que está apenas ocupando espaço e inchando o documentário”, revelou. Desse modo, segundo César, “as ideias fluem e o que era pra ser uma saída fotográfica vai se tornando um exercício audiovisual que toma corpo para virar uma investigação sobre o Centro de Manaus”, disse o realizador.

A ligação com o Centro

O documentário faz parte de um projeto de César Nogueira de investigar o Centro de Manaus. O fotógrafo, que é natural de Roraima, mora em Manaus há 22 anos e cresceu no bairro, o qual chama carinhosamente de “centroso”. Segundo ele, “o bairro sempre incutiu inquietações artísticas sejam elas de curto, médio e longo prazo. Enquanto crescia, ouvia gente comentar que o Centro não tem nada. Não concordo com isso e naturalmente a vida está me fazendo investigar o meu bairro”, revelou.

Um de seus planos é continuar filmando seus amigos. “Quero saber o que eles pensam do meu bairro e como eu me espelho neles a partir dessa ideia”, disse. Entre os amigos que o fotógrafo queria documentar, encontra-se a artista Selma Bustamante que faleceu no inicio de 2019, com quem César fez parceira na produção do documentário “Purãga Pesika”. “Selma estava na lista, mas nos deixou no Carnaval. Felizmente, a vida me trouxe um projeto de fazer um documentário sobre a vida dela”, revelou. Apesar de não entrar em maiores detalhes sobre esse projeto, o realizador afirmou que será um processo difícil.

A previsão é que “Robert” seja lançado em 2020, primeiramente em festivais e, depois, na internet. Por fim, César espera “que o documentário motive os espectadores a conhecer os bares e tomar cerveja no Centro de Manaus”, contou.

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