O Itaú Cultural Play adicionou 10 novos filmes da Região Norte do Brasil ao catálogo. São nove curtas-metragens e um longa-metragem, que exploram temas diversos, como a cultura dos povos originários, a cena da comédia brasileira e a preservação do meio ambiente.
O longa-metragem é O Comedy Club (Tocantins, 2022), de André Araújo, primeira produção tocantinense a ser exibida no circuito nacional. Nele, o espectador conhece Daniel, homem que sai do interior do estado para tentar a vida em São Paulo. Enquanto trabalha como garçom em uma casa de stand-up, ele descobre um talento escondido para a comédia. Obrigado a retornar para sua cidade natal, Daniel decide utilizar o que aprendeu para sobreviver e fazer a diferença no local.
Como o próprio título anuncia, o curta-metragem documental Hélio Melo (São Paulo, 2024), da cineasta Leticia Rheingantz, faz uma imersão poética na obra do artista plástico e escritor acreano que dá nome à produção. Obras de Hélio Melo (1926-2001) — conhecidas por retratar o cotidiano dos seringueiros e denunciar a exploração e a destruição da floresta — sobrepõem-se com retratos do Acre atual, enquanto o ator Chico Diaz narra textos de autoria do artista.
O documentário Sabá (Acre, 2018) também trabalha com histórias de seringueiros. Ele acompanha Sabá Marinho, líder seringueiro de Xapuri, no Acre, que luta há décadas pelos direitos da categoria e que foi, inclusive, companheiro de Chico Mendes, ativista assassinado por fazendeiros em 1988. No curta-metragem, o diretor Sérgio de Carvalho registra Sabá em momentos simples do cotidiano que, intercalados com seus relatos de dor e ativismo, revelam o drama humano por trás de sua trajetória.
Utopia (Amapá, 2021), por sua vez, expõe a realidade de outra classe comumente explorada na região: os garimpeiros. O filme é uma homenagem da jovem cineasta Rayane Penha a seu pai, que faleceu devido a um acidente de trabalho no garimpo, em 2017.
Primeiro representante paraense a conquistar o prêmio de Melhor Curta na Première Brasil do Festival do Rio, em 2023, Cabana (Pará, 2023) é uma ficção que se passa durante a Cabanagem, revolta popular que aconteceu no Pará em meados do século XIX. O curta-metragem de Adriana de Faria narra o encontro entre duas mulheres integrantes do movimento em uma cabana na Floresta Amazônica, na iminência de serem descobertas pelas autoridades.
Já Solitude (Amapá, 2021), animação de Tami Martins, acompanha a personagem Sol, uma jovem que, após terminar um relacionamento abusivo, vai em busca de sua sombra, a qual fugiu de sofrimento, para encontrar a paz interior. O filme, que é um marco no audiovisual do estado, foi o primeiro curta-metragem produzido no Amapá com recursos da Agência Nacional do Cinema (Ancine), e no ano de seu lançamento, conquistou o prêmio de Melhor Curta da Première Brasil do Festival do Rio.
Os mitos e os costumes de diferentes populações nortistas são o ponto de partida de quatro filmes que chegam à IC Play. Um deles é Águas que me tocam (Rondônia, 2022), longa selecionado para vários festivais nacionais e que percorre territórios do Amazonas e Rondônia para documentar a relação entre as pessoas com a água, desde os ritos de fé até a luta pela preservação dos rios. A direção é de Juraci Júnior.
A Pedra de Bendegó, maior meteorito que já caiu no Brasil – o fato ocorreu em 1784, na Bahia –, é o mote da animação Kanau’kyba (Roraima, 2021), do artista Gustavo Caboco. Exibido na 34ª Bienal de São Paulo, o curta-metragem se utiliza da conexão do povo Wapichana com as pedras da terra ancestral e as pedras do céu, os meteoritos, para reivindicar a resistência da cultura dessa etnia indígena.
Já em O céu dos índios Desâna e Tuiuca (Amazonas, 2018), o antropólogo Jaime Diákara, da etnia Desâna, nos conduz pelos mistérios da cosmologia indígena, para a qual cada estrela no céu corresponde a um ser humano na Terra. O filme, de Flávia Abtibol e Chicco Moreira, capta o processo de transmissão dessa sabedoria para as novas gerações.
Por fim, em Banho de cavalo (Rondônia, 2015), da dupla Francis Madson e Michele Saraiva, um rapaz à deriva em um barraco abandonado e um cavalo morto evocam a expressão que dá nome ao filme e que, no interior de Rondônia, significa “colocar-se no lugar do outro”. A produção experimental é um exercício puro de imagem e de som realizado por jovens artistas rondonienses.

















