A franquia Missão: Impossível é uma das mais confiáveis não só do gênero ação no cinema, mas dos blockbusters em geral. Desde que a cinessérie começou com a primeira aventura do agente Ethan Hunt em 1996, com o filme de Brian De Palma, produzido e estrelado pelo astro Tom Cruise, nunca houve um Missão: Impossível ruim, embora alguns dos filmes tenham sido melhores do que outros. O mesmo pode ser dito sobre este Missão: Impossível – Acerto Final, o oitavo da franquia: ele é bom. Mas não é ótimo como alguns dos outros exemplares.
Continuação direta do anterior, Acerto de Contas – Parte 1 (2023), nele retomamos a luta de Hunt (Cruise) e sua equipe contra a misteriosa Entidade, uma inteligência artificial que se tornou consciente e se infiltrou nos sistemas mundiais. Com o planeta à beira do caos, e com os governos – notadamente o americano – se recusando a destruir a Entidade, Hunt embarca numa busca pelo submarino afundado onde está a única possibilidade de acabar com a ameaça.
Cruise, de novo, comanda a tela e até tenta mostrar um lado mais humano e emocional do seu herói. Porém, desta vez, os esforços do ator e do seu parceiro na empreitada, o diretor/co-roterista Christopher McQuarrie, não deram frutos inteiramente: parece que os momentos mais interessantes dessa história ficaram lá no filme anterior.
Uma das maiores sequências do filme, a do submarino, é construída com lentidão – a primeira metade deste Missão: Impossível pode ser considerada até enfadonha, para os padrões da franquia. É muita conversa e preparação, para um resultado pouco emocionante, apesar do grande trabalho de direção de arte, criando o interior do submarino, e do esforço do próprio Cruise, mergulhando pelo cenário. E até mesmo a cena em si se alonga demais, dissipando a tensão.
Nessa fase inicial do longa, o roteiro de McQuarrie e Erik Jendresen também tenta fazer ligações com filmes anteriores da franquia, quase numa espécie de celebração dela. Até aí, tudo bem, mas essas conexões são por demais didáticas e até tênues, e ficam com gosto de mero fan service. Elas não contribuem em nada para a trama e poderiam ter sido retiradas sem muito trabalho.
Do meio para o fim, porém, o filme realmente engata uma marcha e segue em alta velocidade até seu clímax, que realmente é empolgante na tradição da cinessérie. É difícil não se eletrizar com as acrobacias arrepiantes com aviões e proezas desse trecho do filme, mas também é possível argumentar que Cruise e McQuarrie estão reciclando o clímax de Missão: Impossível – Efeito Fallout (2018), talvez o melhor da série.
Ainda assim, é um filme que mantém a mítica de Ethan Hunt e suas aventuras, que continuam divertindo o mundo. No entanto, depois de oito filmes, nosso espião que corre, pula, se pendura e se arrisca parece realmente estar começando a perder seu gás.













