Quando a tela do CineSesc, em São Paulo, congelou em uma foto de família e um cronômetro na tela, consegui respirar novamente. “O Brutalista”, novo filme de Brady Corbet, chega com a forma de épico do cinema clássico, com direito a um intervalo (ou ‘intermission’) que divide a narrativa. Quinze minutos para dissipar o rigor de um filme frio demais para as próprias ambições. 

Ao falar sobre a falta de pertencimento em uma nova terra que não acolhe um homem forçado a virar imigrante, o drama de Corbet acaba preso em uma rigidez que vai além da estética. Com isso, a tentativa de explorar temas profundos fica perdida nesse filme que traz Adrien Brody novamente em uma história que aborda o Holocausto, 22 anos após “O Pianista”. 

Aqui, ele é o arquiteto húngaro László Tóth, sobrevivente do massacre aos judeus que chega aos Estados Unidos em busca de um recomeço. Longe da esposa, Erzsébeth (Felicity Jones), na primeira metade da história, Toth chama a atenção de um empresário rico e inescrupuloso (Guy Pearce), que usa o talento do imigrante para satisfazer o próprio ego por meio da filantropia, com a construção de um centro comunitário na Pensilvânia. 

A primeira parte de O Brutalista esbarra na já citada frieza que tenta espelhar o que os próprios personagens assumem na segunda metade do longa: László é apenas tolerado, nunca respeitado.

A América hostil de Corbet rendeu comparações a obras como “Era Uma Vez na América“ e “Sangue Negro”, mas, para esta que vos escreve, há um abismo bem maior do que o intervalo de 15 minutos entre esses filmes. Aqui, há uma exploração do classicismo e a xenofobia em abordagens soltas demais e que carregam um discurso sionista. Confesso que, duas semanas após a sessão, ainda estou incrédula com a “inspiração romântica” de um campo de concentração e com a inserção de disco music.

Curiosamente, o filme é lançado ao mesmo tempo em que outro título que fala sobre arquitetura e futuro, “Megalópolis“, de Francis Ford Coppola. Nesse duelo, pelo menos pra mim, “O Brutalista” sai perdendo. Enquanto o filme de Coppola reflete as rimas de diferentes épocas ao escancarar complexas dinâmicas sociais e políticas que surgem ao redor de um projeto arquitetônico monumental, o de Corbet parece não saber equilibrar o trauma de Laszlo com a hostilidade velada dos que o acolhem falsamente.