Anna Muylaert, Grace Gianoukas, Irene Ravache, Katiuscia Canoro, entre outras. O que você pensa quando vê todos esses nomes juntos? Grandes mulheres do cinema brasileiro, símbolos de grande sucesso. Sim, mas a realidade nem sempre se comprova: você pode ter os melhores ingredientes de marcas renomadas, mas, se não souber para onde está indo e qual o direcionamento exato para usar esses ingredientes, de nada adianta a fórmula.

“O Clube das Mulheres de Negócios” se passa em um clube de campo em São Paulo, comandado pela ricaça Cesárea (Cristina Pereira) e seu braço direito, Brasília (Louise Cardoso). Tudo começa quando a dona do clube convida as amigas — todas também com grande poder aquisitivo — para investirem em um novo negócio que ela tem em mente. Junto delas, vamos acompanhar a visita de Candinho (Rafael Vitti) e Jongo (Luis Miranda), um fotógrafo renomado, convidado por Candinho, neto de Cesárea, para fazer uma entrevista com as dondocas paulistanas. Acontece que o que era para ser apenas uma manhã de trabalho acaba se transformando em uma grande confusão generalizada (em vários sentidos).

Por mais que o filme tenha uma premissa bastante original ao ambientar mulheres em papéis tradicionalmente masculinos na sociedade, de forma a escancarar o patriarcado, o machismo e o elitismo, “O Clube das Mulheres de Negócios” não consegue se sustentar por muito tempo. Inicialmente, temos um quadro interessante dos personagens, todos engraçados e repletos de comentários bem afiados, dignos de uma boa sátira. Porém, à medida que o filme avança, as ideias começam a se perder, a narrativa deixa de se desenvolver e o roteiro joga vários elementos em cena, como se os espectadores fossem muito ingênuos para perceber o verdadeiro fiasco em que a história se transforma.

A Luis Miranda está excelente; ele consegue retratar bem o choque que sofre diante dessas mulheres, que têm crimes na carteira. Já não podemos dizer o mesmo de Rafael Vitti, que também protagoniza a trama: ele deixa transparecer estar na eterna versão de si mesma. O tempo todo, parece que estamos apenas vendo o ator vestido de cropped e com o cabelo penteado. Talvez a comédia não seja seu forte, pois ele acaba sendo totalmente ofuscado, ainda mais ao lado de atores tão experientes em entregar o melhor do humor brasileiro. Katiuscia Canoro (Zarife), por exemplo, nos diverte em cada cena. Em um momento no final do filme, vemos ela recitando personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo, o que é simplesmente hilário.

A fotografia é vibrante, com um design de produção e figurino repletos de tons quentes e pastéis, que retratam bem uma manhã de verão, como se aquele lugar fosse paradisíaco e totalmente fora da realidade da grande capital industrial. A direção de Muylaert é competente, e logo no início percebemos o calibre de uma diretora que sabe fazer planos-sequência e nos inserir no lado dos personagens cheios de pataquadas. Infelizmente, é uma pena que o mesmo não se possa dizer do roteiro, pois o que poderia ser uma comédia bastante inteligente acaba se transformando em uma salada cheia de firulas.

“O Clube das Mulheres de Negócios” é uma sátira que tinha muito potencial, mas se perde totalmente no meio do caminho. É uma pena, pois havia muitos atores talentosos aqui, e vê-los todos juntos seria uma receita perfeita para muitas risadas. Contudo, quando chegamos à metade do filme, já não torcemos mais pelos protagonistas, mas sim para que o longa simplesmente termine.